A autorização de famílias e a rapidez na logística têm permitido que a rede pública de saúde de Sergipe aumente o número de transplantes em 2024. No Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), o advogado Ruan Feitosa decidiu doar os órgãos do pai, de 47 anos, morador do bairro Santos Dumont, em Aracaju, após confirmação de morte encefálica. O paciente havia sido internado com Acidente Vascular Cerebral (AVC) e evoluiu para traumatismo craniano e coma prolongado.
Segundo Ruan, a decisão contou com orientação da Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE), que acompanhou todo o quadro clínico. “Houve resistência inicial de alguns familiares, mas entendemos a importância de ajudar quem precisa”, disse.
Logística em ação
Na sala de centro cirúrgico do Huse, foram retirados coração, dois rins, fígado e duas córneas. A operação envolveu cirurgião, anestesista, instrumentadores e equipe de enfermagem. A saída dos órgãos acionou um esquema de transporte: uma ambulância do Samu 192 Sergipe, escoltada pelo Grupamento Especial Tático de Motos (Getam), levou as caixas térmicas até o Aeroporto Internacional de Aracaju. No local, aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) aguardavam o embarque.
Destinos:
- Coração e rim esquerdo – Pernambuco
- Fígado – Distrito Federal
- Rim direito – Rio Grande do Norte
- Córneas – permanecem em Sergipe
O coordenador da Central Estadual de Transplantes de Sergipe, Benito Fernandez, explica que o tempo de isquemia fria — período sem circulação sanguínea — é determinante: coração e pulmão suportam até quatro horas; fígado, 12; rins, 36; córneas, até 14 dias. “Antes mesmo da captação, já se sabe quem receberá o órgão, e o receptor precisa estar no hospital transplantador”, afirma.
Números de 2024
De janeiro a 18 de setembro, Sergipe registrou 39 doadores, com captação de 41 rins, 19 fígados e quatro corações. No acumulado do ano, são 57 doadores, resultando em 56 rins, 22 fígados e quatro corações captados. Também foram realizados 174 transplantes de córnea e um transplante renal com doador vivo.
Outra história de solidariedade
O engenheiro civil Jorge Luiz, de Lagarto, autorizou a doação dos órgãos da mãe, de 43 anos, vítima de aneurisma cerebral. “Hoje enxergamos a decisão com serenidade e orgulho. É um gesto que transforma a dor em esperança”, afirmou.
Com campanhas de conscientização e o engajamento das equipes de saúde, o Governo de Sergipe busca ampliar o número de famílias que dizem “sim” à doação e multiplicar vidas por meio dos transplantes.
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