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Meio Ambiente

Indígenas lideram restauração de terras na Amazônia para proteger nascentes

No Dia da Amazônia (05/09/2026), especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras e destacam dados e ferramentas para priorização.

05/09/2026 · 00h00 · Atualizado às 12h57
Indígenas lideram restauração de terras na Amazônia para proteger nascentes

Especialistas pedem investimentos urgentes para recuperar terras degradadas em áreas indígenas. Restauração protege nascentes, aumenta segurança alimentar, recupera espécies tradicionais, valoriza saberes e gera renda.

No Dia da Amazônia, comemorado neste sábado (5), especialistas destacam a urgência de investimento na restauração de terras degradadas em territórios indígenas, apontando que a ação vai além do plantio de árvores ou da recomposição da vegetação perdida. A recuperação é apresentada como medida capaz de proteger nascentes, aumentar a segurança alimentar, recuperar espécies de uso tradicional, fortalecer saberes locais e gerar renda.

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O tema ganha mais relevância neste momento em que o Brasil ampliou metas de recuperação de áreas degradadas: durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, na Mongólia, o país anunciou o compromisso de restaurar mais de 163 mil quilômetros quadrados até 2030. Parte desse esforço deverá alcançar territórios indígenas.

Dados do TerraClass de 2022 mostram que as terras indígenas da Amazônia concentram 952,3 mil hectares de áreas degradadas, predominantemente ocupadas por pastagens; 24,4 mil hectares destinados à agricultura; e 18,9 mil hectares à mineração. Também foram identificados 840,5 mil hectares de vegetação secundária. Somadas, essas áreas representam um potencial de restauração estimado em 1,79 milhão de hectares dentro de terras indígenas da Amazônia.

Apesar das pressões, esses territórios permanecem entre os mais conservados do país. Segundo o Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas divulgado em 2026, apenas 1,7% de toda a perda de vegetação nativa registrada no Brasil entre 2019 e 2025 ocorreu dentro de terras indígenas.

A indígena do povo Kaingang e especialista da The Nature Conservancy Brasil (TNC), Diana Nascimento, ressalta que números de hectares recuperados não bastam para medir o sucesso de uma iniciativa; é necessária a participação ativa de quem vive nos territórios.

“Quando os povos indígenas assumem o protagonismo da restauração, o território deixa de ser visto apenas como uma área onde precisamos recuperar vegetação e passa a ser entendido a partir de sua relação com as pessoas, a cultura, a alimentação, os conhecimentos tradicionais e os modos de vida”.

Diana afirma que a participação indígena altera até mesmo a própria definição do que é restaurar.

“Não se trata apenas de quantos hectares foram restaurados ou quantas árvores foram plantadas, mas de entender quais espécies são importantes para aquele povo, quais alimentos e conhecimentos precisam ser recuperados, quais áreas são prioritárias e o porquê, e ainda como essa restauração pode contribuir para fortalecer a gestão e a autonomia do território”.

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Um dos desafios é definir áreas prioritárias diante da extensão dos territórios e da limitação de recursos: uma área muito degradada pode não ser a que produz maiores benefícios para determinada comunidade. Para apoiar esse planejamento, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desenvolveu um sistema integrado de informações para decisões sobre conservação e restauração em terras indígenas.

A iniciativa reúne dados sobre degradação, segurança hídrica, biodiversidade, mudanças climáticas, governança territorial, sustentabilidade, educação e saúde, entre outros fatores, e foi desenvolvida em parceria com a TNC Brasil, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e o programa britânico UK PACT.

Guillermo Florez Montero, líder de Ciência de Dados da TNC Brasil, explica que a ferramenta permite combinar variáveis e atribuir pesos conforme os objetivos de cada projeto, usando metodologia de análise multicritério que gera um índice comparativo para indicar prioridades.

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“Podemos considerar áreas localizadas em regiões com maior insegurança hídrica, a partir do índice de segurança hídrica, ou mais ameaçadas pelo fogo, outro critério presente no sistema. Dessa forma, conseguimos construir modelos customizados”.

Florez ressalta que o resultado matemático não substitui a decisão das comunidades e que a adoção de um projeto depende da vontade e da prioridade das lideranças locais.

“O modelo pode indicar uma terra indígena específica para a implementação de determinado projeto. Mas, se a liderança não quiser, não estiver interessada ou se a iniciativa não estiver entre as prioridades da gestão daquele território, isso deverá ser respeitado”.

Segundo a análise apresentada, a ferramenta pode ser útil quando surgirem recursos para recuperação de áreas degradadas ou para projetos de restauração com finalidade produtiva: um território com alta insegurança alimentar, por exemplo, pode ser priorizado para restauração socioprodutiva desde que as demais condições necessárias também sejam atendidas.

Diana lembra que povos indígenas acumulam conhecimentos transmitidos entre gerações sobre sementes, espécies nativas, ciclos naturais, períodos de plantio e colheita, manejo dos solos, plantas medicinais e alimentos tradicionais — elementos que, segundo ela, devem fazer parte dos critérios de restauração e das decisões sobre onde e como aplicar recursos.

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Especialistas pedem investimentos urgentes para recuperar terras degradadas em áreas indígenas. Restauração protege nascentes, aumenta segurança alimentar, recupera espécies tradicionais, valoriza saberes e gera renda.

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O tema ganha mais relevância neste momento em que o Brasil ampliou metas de recuperação de áreas degradadas: durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, na Mongólia, o país anunciou o compromisso de restaurar mais de 163 mil quilômetros quadrados até 2030. Parte desse esforço deverá alcançar territórios indígenas.

Dados do TerraClass de 2022 mostram que as terras indígenas da Amazônia concentram 952,3 mil hectares de áreas degradadas, predominantemente ocupadas por pastagens; 24,4 mil hectares destinados à agricultura; e 18,9 mil hectares à mineração. Também foram identificados 840,5 mil hectares de vegetação secundária. Somadas, essas áreas representam um potencial de restauração estimado em 1,79 milhão de hectares dentro de terras indígenas da Amazônia.

Apesar das pressões, esses territórios permanecem entre os mais conservados do país. Segundo o Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas divulgado em 2026, apenas 1,7% de toda a perda de vegetação nativa registrada no Brasil entre 2019 e 2025 ocorreu dentro de terras indígenas.

A indígena do povo Kaingang e especialista da The Nature Conservancy Brasil (TNC), Diana Nascimento, ressalta que números de hectares recuperados não bastam para medir o sucesso de uma iniciativa; é necessária a participação ativa de quem vive nos territórios.

“Quando os povos indígenas assumem o protagonismo da restauração, o território deixa de ser visto apenas como uma área onde precisamos recuperar vegetação e passa a ser entendido a partir de sua relação com as pessoas, a cultura, a alimentação, os conhecimentos tradicionais e os modos de vida”.

Diana afirma que a participação indígena altera até mesmo a própria definição do que é restaurar.

“Não se trata apenas de quantos hectares foram restaurados ou quantas árvores foram plantadas, mas de entender quais espécies são importantes para aquele povo, quais alimentos e conhecimentos precisam ser recuperados, quais áreas são prioritárias e o porquê, e ainda como essa restauração pode contribuir para fortalecer a gestão e a autonomia do território”.

Um dos desafios é definir áreas prioritárias diante da extensão dos territórios e da limitação de recursos: uma área muito degradada pode não ser a que produz maiores benefícios para determinada comunidade. Para apoiar esse planejamento, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desenvolveu um sistema integrado de informações para decisões sobre conservação e restauração em terras indígenas.

A iniciativa reúne dados sobre degradação, segurança hídrica, biodiversidade, mudanças climáticas, governança territorial, sustentabilidade, educação e saúde, entre outros fatores, e foi desenvolvida em parceria com a TNC Brasil, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e o programa britânico UK PACT.

Guillermo Florez Montero, líder de Ciência de Dados da TNC Brasil, explica que a ferramenta permite combinar variáveis e atribuir pesos conforme os objetivos de cada projeto, usando metodologia de análise multicritério que gera um índice comparativo para indicar prioridades.

“Podemos considerar áreas localizadas em regiões com maior insegurança hídrica, a partir do índice de segurança hídrica, ou mais ameaçadas pelo fogo, outro critério presente no sistema. Dessa forma, conseguimos construir modelos customizados”.

Florez ressalta que o resultado matemático não substitui a decisão das comunidades e que a adoção de um projeto depende da vontade e da prioridade das lideranças locais.

“O modelo pode indicar uma terra indígena específica para a implementação de determinado projeto. Mas, se a liderança não quiser, não estiver interessada ou se a iniciativa não estiver entre as prioridades da gestão daquele território, isso deverá ser respeitado”.

Segundo a análise apresentada, a ferramenta pode ser útil quando surgirem recursos para recuperação de áreas degradadas ou para projetos de restauração com finalidade produtiva: um território com alta insegurança alimentar, por exemplo, pode ser priorizado para restauração socioprodutiva desde que as demais condições necessárias também sejam atendidas.

Diana lembra que povos indígenas acumulam conhecimentos transmitidos entre gerações sobre sementes, espécies nativas, ciclos naturais, períodos de plantio e colheita, manejo dos solos, plantas medicinais e alimentos tradicionais — elementos que, segundo ela, devem fazer parte dos critérios de restauração e das decisões sobre onde e como aplicar recursos.

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