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Aracaju, Quarta-feira, 16 de setembro de 2026
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Meio Ambiente

Seca, inundações e degradação ameaçam alimentos e saberes na América Latina

Relatos da COP17 mostram como seca, inundações e degradação afetam povos da Amazônia, do Corredor Seco e do Chaco, e a distância entre decisões e realidades locais.

05/09/2026 · 00h00 · Atualizado às 12h57
Seca, inundações e degradação ameaçam alimentos e saberes na América Latina

Relatos da Amazônia peruana, do Corredor Seco e do Chaco argentino, na COP17, expuseram o abismo entre políticas globais e realidades locais. O líder shipibo-konibo diz que a seca ameaça alimentos, rios e saberes.

Histórias de três regiões da América Latina — a Amazônia peruana, o Corredor Seco Centro-Americano e o Chaco argentino — destacaram na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), encerrada em Ulaanbaatar, na Mongólia, a distância entre decisões internacionais e realidades locais. As narrativas mostram impactos variados do clima sobre segurança alimentar, práticas agrícolas e saberes tradicionais.

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Na Amazônia peruana, o indígena shipibo-konibo Gilmer Yuimachi alertou que a seca ameaça não apenas alimentos e rios, mas também culturas e conhecimentos ancestrais. Em El Salvador, a líder juvenil Xenia López acompanhou comunidades do Corredor Seco que tentam adaptar a agricultura à falta de água. Na parte argentina do Chaco Americano, a professora e ativista Antonella Sleiman relatou inundações inéditas que devastaram plantações após anos de convivência com secas.

A conferência terminou com novos mecanismos de financiamento, discussões sobre uma arquitetura global de resiliência à seca e maior participação formal de povos indígenas e comunidades. No entanto, representantes latino-americanos apontaram que a distância entre as decisões internacionais e os cotidianos locais continua grande.

Cerca de 28% dos territórios na região são de terras degradadas. O índice é muito superior à média global, que gira em torno de 15% a 16%, segundo a convenção das Nações Unidas especializada no combate à desertificação (UNCCD).

Xenia López, que trabalha com 16 comunidades rurais e semiurbanas no departamento de Chalatenango, em El Salvador, disse que a maior parte das comunidades vive principalmente da agricultura e que a região está inserida no Corredor Seco Centro-Americano, faixa vulnerável à irregularidade das chuvas.

“Há zonas que enfrentam longos períodos de verão e episódios de calor intenso no inverno. Quando deveria chover e abastecer a agricultura, simplesmente fica seco”, contou.

Ela relatou que, nos últimos anos, passou a promover práticas agroecológicas para melhorar o aproveitamento da água e proteger solos empobrecidos pelo uso intensivo de produtos químicos.

“A agroecologia, ao invés da agricultura intensiva, nos permite fazer um uso mais eficiente da água e proteger o solo, em vez de tratá-lo apenas como um recurso do qual podemos usar e abusar”, relata.

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Xenia afirmou que as soluções são comunitárias, mas demandam apoio de autoridades e organismos internacionais, e criticou governos que dificultam espaços de reivindicação por iniciativas estruturais. Ela também destacou a importância das redes construídas na COP17 para dar visibilidade às demandas locais.

“No evento, contamos muito com a ajuda do Brasil, que nos deu espaço no pavilhão do país. Lá, conseguimos compartilhar nossas histórias e lutas. Mas precisamos de ajuda para ampliar nossas vozes em espaços internacionais e ter um lugar específico para as questões da América Central”, disse.

No Chaco Americano, Antonella Sleiman descreveu como comunidades acostumadas a administrar a escassez de água enfrentaram inundações em escala não observada havia cerca de 50 anos. Produtores familiares perderam plantações e a vegetação de pasto, o que obrigou compras de alimentos em regiões distantes.

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“Este ano, pela primeira vez, algumas comunidades precisaram comprar alimentos para as famílias e para os rebanhos em localidades distantes. Essa mudança gerou muitos problemas”, conta.

Antonella participa da Mesa de Tierra del Salado Norte, que reúne representantes de organizações camponesas e indígenas. Ela integra também a Plataforma Semiaridos, composta por 16 instituições de 10 países da América Latina, e espera que as demandas apresentadas na COP17 sejam ouvidas nas negociações internacionais.

“Não gostaria que nossas lutas ficassem restritas às nossas realidades, mas que fossem captadas e ampliadas. Que pudéssemos ser capazes de incidir nas negociações que decidem o futuro de todos nós. Trazemos as vozes dos nossos territórios sem intermediários, então, seria importante que pudessem nos escutar e nos incluir nas decisões”, diz Antonella.

As três histórias revelaram desafios comuns: transformar metas internacionais de restauração e combate à seca em mudanças concretas para quem depende diretamente da terra na América Latina, com necessidade de mais apoio e espaços de decisão para povos e comunidades impactadas.

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Relatos da Amazônia peruana, do Corredor Seco e do Chaco argentino, na COP17, expuseram o abismo entre políticas globais e realidades locais. O líder shipibo-konibo diz que a seca ameaça alimentos, rios e saberes.

Histórias de três regiões da América Latina — a Amazônia peruana, o Corredor Seco Centro-Americano e o Chaco argentino — destacaram na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), encerrada em Ulaanbaatar, na Mongólia, a distância entre decisões internacionais e realidades locais. As narrativas mostram impactos variados do clima sobre segurança alimentar, práticas agrícolas e saberes tradicionais.

Na Amazônia peruana, o indígena shipibo-konibo Gilmer Yuimachi alertou que a seca ameaça não apenas alimentos e rios, mas também culturas e conhecimentos ancestrais. Em El Salvador, a líder juvenil Xenia López acompanhou comunidades do Corredor Seco que tentam adaptar a agricultura à falta de água. Na parte argentina do Chaco Americano, a professora e ativista Antonella Sleiman relatou inundações inéditas que devastaram plantações após anos de convivência com secas.

A conferência terminou com novos mecanismos de financiamento, discussões sobre uma arquitetura global de resiliência à seca e maior participação formal de povos indígenas e comunidades. No entanto, representantes latino-americanos apontaram que a distância entre as decisões internacionais e os cotidianos locais continua grande.

Cerca de 28% dos territórios na região são de terras degradadas. O índice é muito superior à média global, que gira em torno de 15% a 16%, segundo a convenção das Nações Unidas especializada no combate à desertificação (UNCCD).

Xenia López, que trabalha com 16 comunidades rurais e semiurbanas no departamento de Chalatenango, em El Salvador, disse que a maior parte das comunidades vive principalmente da agricultura e que a região está inserida no Corredor Seco Centro-Americano, faixa vulnerável à irregularidade das chuvas.

“Há zonas que enfrentam longos períodos de verão e episódios de calor intenso no inverno. Quando deveria chover e abastecer a agricultura, simplesmente fica seco”, contou.

Ela relatou que, nos últimos anos, passou a promover práticas agroecológicas para melhorar o aproveitamento da água e proteger solos empobrecidos pelo uso intensivo de produtos químicos.

“A agroecologia, ao invés da agricultura intensiva, nos permite fazer um uso mais eficiente da água e proteger o solo, em vez de tratá-lo apenas como um recurso do qual podemos usar e abusar”, relata.

Xenia afirmou que as soluções são comunitárias, mas demandam apoio de autoridades e organismos internacionais, e criticou governos que dificultam espaços de reivindicação por iniciativas estruturais. Ela também destacou a importância das redes construídas na COP17 para dar visibilidade às demandas locais.

“No evento, contamos muito com a ajuda do Brasil, que nos deu espaço no pavilhão do país. Lá, conseguimos compartilhar nossas histórias e lutas. Mas precisamos de ajuda para ampliar nossas vozes em espaços internacionais e ter um lugar específico para as questões da América Central”, disse.

No Chaco Americano, Antonella Sleiman descreveu como comunidades acostumadas a administrar a escassez de água enfrentaram inundações em escala não observada havia cerca de 50 anos. Produtores familiares perderam plantações e a vegetação de pasto, o que obrigou compras de alimentos em regiões distantes.

“Este ano, pela primeira vez, algumas comunidades precisaram comprar alimentos para as famílias e para os rebanhos em localidades distantes. Essa mudança gerou muitos problemas”, conta.

Antonella participa da Mesa de Tierra del Salado Norte, que reúne representantes de organizações camponesas e indígenas. Ela integra também a Plataforma Semiaridos, composta por 16 instituições de 10 países da América Latina, e espera que as demandas apresentadas na COP17 sejam ouvidas nas negociações internacionais.

“Não gostaria que nossas lutas ficassem restritas às nossas realidades, mas que fossem captadas e ampliadas. Que pudéssemos ser capazes de incidir nas negociações que decidem o futuro de todos nós. Trazemos as vozes dos nossos territórios sem intermediários, então, seria importante que pudessem nos escutar e nos incluir nas decisões”, diz Antonella.

As três histórias revelaram desafios comuns: transformar metas internacionais de restauração e combate à seca em mudanças concretas para quem depende diretamente da terra na América Latina, com necessidade de mais apoio e espaços de decisão para povos e comunidades impactadas.

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