O Ministério Público de São Paulo aceitou a denúncia e abriu ação penal contra Alexsander 'Moskitão' Silva. Ele é acusado de importunação sexual e capacitismo contra o humorista Tokinho, em transmissão ao vivo.
O influenciador Alexsander José Rodrigues da Silva, conhecido como Moskitão, foi formalmente declarado réu pela Justiça de São Paulo por crimes de importunação sexual e capacitismo contra o humorista Guilherme Ribeiro dos Santos, o Tokinho. A denúncia do Ministério Público foi acatada e resultou na abertura da ação penal.
O episódio relatado ocorreu em agosto do ano passado, durante uma transmissão ao vivo na plataforma Twitch, realizada a partir de um evento musical na Zona Oeste da capital paulista. Segundo o Ministério Público de São Paulo, o acusado se aproximou do humorista de maneira invasiva e insistente e tentou beijá-lo sem consentimento.
Ainda conforme o MP-SP, o influenciador teria proferido falas de cunho sexual e termos pejorativos contra Tokinho, além de comentários sobre deficiência. O material do episódio ficou gravado e foi apresentado como prova durante a investigação.
“Eu tenho fetiche por deficiente”
“Eu vou te abusar”
“Sabe por que eu não te acho normal? Porque todo anão tem um p* grande”
A decisão que instaurou a ação penal partiu da 26ª Vara Criminal de São Paulo no final de julho deste ano. O juiz Marcos Vieira de Morais entendeu que há materialidade e indícios suficientes para seguir com a acusação. Durante a fase de inquérito, a autoridade policial não localizou o acusado para que ele apresentasse sua versão dos fatos.
Se condenado, o réu pode enfrentar pena de até 10 anos de reclusão, número que considera a possibilidade de agravamento pelo fato de a discriminação ter sido praticada por meio de comunicação social. O Ministério Público também requereu o pagamento de indenização mínima de R$ 10 mil pelos danos sofridos pela vítima.
O influenciador responde ao processo em liberdade. Ele já havia sido condenado anteriormente ao pagamento de R$ 15 mil por outras ações descritas como falsas “trolagens” que teriam assediado mulheres.
A equipe jurídica de Tokinho avaliou a abertura da ação penal como um avanço importante no caso e ressaltou limites à liberdade de expressão na internet.
“Nenhuma pessoa pode ser transformada em objeto de ridicularização, sexualização ou entretenimento em razão de uma deficiência ou de uma característica física”
Logo após o episódio, o próprio humorista relatou em seu perfil que se sentiu “desrespeitado e constrangido” com as abordagens durante a transmissão.


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