O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, em evento realizado nesta segunda-feira (13), que “não vai ter tarifaço” em resposta a questionamentos sobre a possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O evento ocorreu em São José dos Campos (SP), onde Lula lançou uma turbina movida a etanol.
As declarações do presidente surgem em um momento crítico, já que até a próxima quarta-feira (15), o governo norte-americano deverá decidir se aplicará uma taxa de 25% sobre o Brasil, em razão de uma investigação relacionada à seção 301. O Palácio do Planalto aguarda uma última reunião entre representantes brasileiros e o chefe do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), Jamieson Greer, antes do prazo final.
Conforme informações do governo brasileiro, os sinais de dificuldades nas negociações são evidentes, levando em conta o histórico das tratativas na administração de Donald Trump e as declarações recentes de Greer. O chefe do USTR afirmou na semana passada: “Tenho conversado com os brasileiros. Temos tentado negociar. Acredito que ainda há uma grande distância entre nós; portanto, vocês verão uma decisão final sobre o Brasil muito em breve, pois temos um prazo legal que se encerra em 15 de julho”.
A expectativa é que, durante a reunião, Greer forneça uma indicação sobre a decisão a ser tomada em relação à investigação. Este será o quinto encontro entre ele e representantes do governo brasileiro. Na última sexta-feira (10), Lula se reuniu com seus ministros para discutir a estratégia para os últimos dias de negociação. O foco continuará sendo manter negociações técnicas, sem fazer concessões que o governo brasileiro considera injustificáveis, especialmente em relação a temas sensíveis como tarifas para o etanol.
De acordo com informações obtidas, o cenário mais provável vislumbra a aplicação das tarifas. Entretanto, não está descartada a possibilidade de que os Estados Unidos optem por adiar a implementação das taxas, como uma forma de possibilitar uma vitória política ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve envolvido nas audiências sobre o tarifaço nesta semana. Essa última hipótese, no entanto, é considerada remota.
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