O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta terça-feira (30 de junho de 2026), um investimento de R$ 97,3 bilhões para o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027. Este valor se destina a diversas áreas, incluindo crédito rural, seguro agrícola, compras públicas, assistência técnica e extensão rural. Segundo o governo, este é o maior montante já alocado para o programa.
Deste total, R$ 85,2 bilhões serão direcionados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que representa um aumento de cerca de 9% em comparação ao ciclo anterior.
O plano inclui 11 linhas de crédito subsidiadas, das quais 9 tiveram suas taxas de juros reduzidas. A taxa de juros para financiamento da produção de alimentos caiu de 3% para 2% ao ano. Para sistemas agroecológicos e produtos da sociobiodiversidade, a taxa foi reduzida de 2% para 1% ao ano. A menor taxa, de 0,5% ao ano, destinada a assentados da reforma agrária, povos indígenas e comunidades quilombolas, permanece inalterada.
As linhas de crédito voltadas para a produção de soja e gado de corte, que anteriormente tinham uma taxa de 8% ao ano, agora estão em 7,5% ao ano. Outros produtos, como milho, café e frutas, contarão com juros de 5,5% ao ano, uma redução em relação aos 6,5% do ciclo anterior.
Além do Pronaf, o governo também anunciou investimentos específicos, como R$ 1,1 bilhão para a Garantia Safra, R$ 6,6 bilhões para o Proagro, R$ 3,65 bilhões em compras públicas, R$ 749 milhões para Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), e R$ 20 milhões para a Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio).
A cerimônia de lançamento ocorreu no Palácio do Planalto e contou com a presença de diversas autoridades, incluindo a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O Plano Safra é considerado o principal pacote anual de financiamento e apoio à produção agropecuária, reunindo linhas de crédito e políticas voltadas para pequenos produtores, assentados, povos indígenas e comunidades quilombolas, além de cooperativas e jovens rurais.
A etapa voltada à agricultura empresarial foi lançada no mesmo dia, com um total de R$ 525,1 bilhões para médios e grandes produtores, refletindo uma alta de 1,7% em relação à safra anterior. As taxas de juros para esta modalidade variam entre 8% e 12,5% ao ano. No total, o governo deve investir R$ 622,4 bilhões nesta rodada do Plano Safra.
No entanto, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) criticou a ausência do presidente Lula no lançamento do Plano Safra para a agricultura empresarial, afirmando que isso reforça uma divisão no agronegócio. A bancada considera que pequenas, médias e grandes produções devem ser vistas como parte de um mesmo sistema produtivo.
A FPA também contestou os números apresentados pelo governo, alegando que, ao desconsiderar recursos incorporados artificialmente, o aumento é apenas nominal e representa uma redução real nos recursos destinados à agricultura empresarial.
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