O encontro tratou das preocupações relacionadas à terceirização da atenção primária, da rede de urgência e emergência e dos hospitais municipais da capital.
O Ministério Público de Contas de Sergipe (MPC-SE) recebeu nesta segunda-feira, dia 9, representantes de sindicatos da área da Saúde para discutir o processo de implementação de Organizações Sociais (OS) no serviço público de saúde de Aracaju. O encontro tratou das preocupações relacionadas à terceirização da atenção primária, da rede de urgência e emergência e dos hospitais municipais da capital.
Shirley Morales, presidenta do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe, destacou a preocupação do movimento sindical com a expansão das OS na capital. “A gente já vinha acompanhando a questão do processo de assunção das OS para atenção primária à saúde, que ficou suspenso, mas a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde avançaram para a rede de urgência e emergência”, afirmou.
A sindicalista ressaltou que a rede de urgência e emergência já enfrenta um estado de precarização há anos. Entre os problemas apontados está a ausência de climatização nas unidades, o que tem levado ao adoecimento de profissionais e ao agravamento do quadro de saúde dos pacientes. “No início dessa gestão, a gente indicou a ausência de ar-condicionado. A Prefeitura fez a compra de equipamentos, mas não tinha instalado ainda. Então a gente chega um ano depois e eles trazem a OS como se ela fosse resolver esses problemas”, criticou Morales.
Segundo Shirley Morales, há previsão de investimento em reformas das instalações, mas, na avaliação da categoria, isso não justificaria a contratação de uma organização social. Ela também informou que houve suspensão de medida cautelar relacionada ao processo, o que aumentou a preocupação dos trabalhadores.
Morales denunciou ainda a postura da gestão municipal. “Tanto a Prefeitura como a Secretaria de Saúde, numa medida antissindical, fizeram reunião diretamente com os trabalhadores, indicando que nos processos seletivos, ou eles assinam ou vão ser desligados”, relatou. Ela afirmou que a categoria busca articular estratégias para reverter a situação, que considera prejudicial tanto para a sociedade quanto para os trabalhadores.
Também esteve na reunião a vereadora Sônia Meire (Psol), que informou que já encaminhou representações ao Ministério Público Estadual sobre o processo de privatização das unidades básicas de saúde. “Nós também estaremos protocolando entre hoje e amanhã aqui no Ministério Público de Contas uma representação mostrando a gravidade dessa situação”, anunciou.
A vereadora destacou que a terceirização também avança sobre hospitais e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), como o Hospital de Urgência Fernando Franco e o Nestor Piva. “Estão desrespeitando os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, com recursos que serão destinados às empresas que ganharam as OS para fazerem reformas e estruturar os hospitais, sem projeto inicial apresentado”, acrescentou.
Durante a reunião, foi destacado pelo procurador-geral do MPC-SE, Eduardo Côrtes, que as questões apresentadas pelos sindicatos e pela vereadora serão analisadas tecnicamente pelo órgão. Foram ressaltadas ainda a importância do diálogo com a sociedade civil e a necessidade de verificação da regularidade dos procedimentos adotados pela gestão municipal no processo de contratação das Organizações Sociais.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

