Inquérito civil apura riscos à saúde física e mental dos participantes; dinâmica foi chamada de “Gran Hermano Guantánamo” pela imprensa estrangeira após recorde de 80 horas.
O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPFRJ) decidiu agir diante da repercussão negativa e de denúncias formais sobre as condições impostas aos participantes do Big Brother Brasil 26. O estopim para a investigação foi o Quarto Branco, que nesta edição submeteu os candidatos a privações sensoriais extremas e sons ininterruptos por mais de 80 horas. O órgão citou que a “normalização do sofrimento como espetáculo” fere os direitos fundamentais garantidos pela Constituição.
Além do Quarto Branco, o inquérito também apura a responsabilidade da emissora em episódios médicos graves, como as crises convulsivas sofridas pelo participante Henri Castelli. O MPF quer entender se o suporte médico foi célere e se as provas de resistência ultrapassaram os limites da segurança biológica. Em diligência inicial, o procurador responsável solicitou que a TV Globo preste informações detalhadas baseadas em questionamentos da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, que comparou a dinâmica a técnicas de tortura do período da ditadura militar.
A TV Globo, em posicionamento prévio, defende que todos os participantes passam por rigorosos exames psicotécnicos e médicos, e que a integridade dos confinados é monitorada 24 horas por dia por uma equipe multidisciplinar. No entanto, a repercussão internacional — com jornais espanhóis classificando o programa como “sala de tortura” — aumentou a pressão sobre o órgão fiscalizador para determinar se o entretenimento brasileiro está operando em uma zona de ilegalidade humanitária.
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