Estresse e falta de atividade física podem afetar saúde de pessoas com HIV

Redação, 27 de Fevereiro , 2024

Como o estresse pode prejudicar as pessoas que vivem com o vírus HIV, aumentando os riscos de piora no quadro geral de saúde? Esta pergunta pode ser respondida com uma pesquisa desenvolvida na Universidade Tiradentes (Unit). Ela fez parte da tese de doutorado da pesquisadora e professora Cristiane Kelly Aquino dos Santos, do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Ambiente (PSA), e resultou em um artigo publicado na edição mais recente da revista científica espanhola Retos, da Federación Española de Docentes de Educación Física (Feadef). 

Realizada ao longo de três anos, a pesquisa estudou um grupo de 307 pessoas adultas (entre 18 e 60 anos) com HIV, de ambos os sexos e das mais variadas classes socioeconômicas. Ao longo do ano de 2022, eles foram acompanhados por uma equipe multidisciplinar e passaram por exames no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), no Rio de Janeiro, referência nacional no cuidado de pessoas que convivem com o vírus causador da Aids. O objetivo foi fazer uma comparação e uma correlação entre os níveis de estresse, a prática de atividade física habitual e o sistema imunológico destas pessoas. 

De acordo com Cristiane, esses aspectos foram analisados para se chegar a um melhor entendimento sobre como a condição do HIV (que é o agente causador da Aids) pode influenciar a saúde mental e física delas. “O principal achado deste estudo revelou que a presença de estresse tem um impacto negativo na contagem de linfócitos TCD4+ (células especiais do sistema imunológico que coordenam a resposta contra infecções pelo HIV). Em outras palavras, quanto mais alto o nível de estresse, menor é a quantidade de linfócitos presentes no corpo”, explica a autora. 

Isso se confirmou nos resultados do estudo: a presença de estresse prevaleceu em pacientes sedentários (13,6% dos participantes), com maior tempo de infecção (27,3%) e com contagens de linfócitos superiores a 500 mm (43,3%). Ainda conforme a pesquisa, 28,2% dos participantes foram identificados como “ativos” em relação ao nível de atividade física, 23,1% como “muito ativos”, 23,1% como “insuficientemente ativos” e 24,1% como “sedentários”. E quanto ao estresse, 26,9% se encontravam em fase de exaustão. 

Para Cristiane, a pesquisa destaca a importância de identificar e considerar o estresse como um fator importante na vida das pessoas com HIV. “Reconhecê-lo é o primeiro passo para desenvolver estratégias eficazes de gerenciamento, o que pode aprimorar o tratamento, cuidados terapêuticos, dentre outros oferecidos a essa população. Também destaca a prática regular de exercícios como uma maneira eficaz de reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV. Isso ressalta a importância de integrar a atividade física como parte do tratamento e cuidado desses indivíduos”, afirma Cristiane, ressaltando ainda uma outra evidência do estudo: a necessidade de apoio emocional e psicossocial para aqueles que convivem com o HIV, ajudando-os a enfrentar os desafios emocionais. 

O professor Estélio Henrique Martin Dantas, um dos orientadores da tese, informa que os dados obtidos na pesquisa passarão por uma análise mais profunda, buscando identificar padrões e tendências que possam orientar ações futuras. “Além disso, pretendemos realizar estudos longitudinais para avaliar os efeitos dos programas de exercícios físicos a longo prazo na saúde física e mental das pessoas vivendo com HIV/AIDS. Esses resultados podem fornecer subsídios importantes para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes no enfrentamento dessa condição de saúde, bem como influenciar a elaboração de protocolos de tratamento que incorporem estratégias de exercícios físicos como parte integrante do cuidado multidisciplinar a esses pacientes”, detalhou ele. 

Parcerias

O trabalho foi realizado no Laboratório de Biociências da Motricidade Humana (LABIMH) e teve a orientação dos professores-doutores Estélio Dantas e Marcos Antonio Almeida Santos, do PSA/Unit, contando ainda com a participação de professores e pesquisadores do Instituto Federal do Tocantins (IFT) e das universidades federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

A tese de Cristiane Kelly foi defendida no PSA/Unit em agosto de 2023 e teve ainda como co-orientadora a norte-americana Ann Gakumo, que coordena a Faculdade de Enfermagem da Universidade de Cincinnati, em Ohio (Estados Unidos), e é uma das principais especialistas em estudos sobre desigualdades entre pessoas com HIV. A parceria surgiu a partir de uma visita técnica que a então aluna de doutorado fez na Universidade de Massachusetts, em Boston, onde Gakumo trabalhava à época. 

“Sua orientação e aconselhamento foram inestimáveis durante todo o processo, desde o planejamento inicial até a análise dos resultados. Além disso, sua colaboração estreita nos permitiu acessar recursos e oportunidades que enriqueceram o projeto, contribuindo significativamente para a qualidade e relevância da pesquisa”, elogia Kelly, que está elaborando outros dois artigos científicos em colaboração com Gakumo, a partir da mesma pesquisa. “Essa parceria internacional demonstra a importância da cooperação entre instituições e profissionais na produção de conhecimento científico e na busca por soluções para questões de saúde pública”, completa Estélio. 


Asscom Unit


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