A personagem de Tatá Werneck em 'Quem Ama Cuida' expõe um padrão perigoso nos relacionamentos. Especialistas alertam: idealizar parceiros pode ser sinal de dependência emocional.
As novelas têm o poder de transformar comportamentos cotidianos em tópicos de discussão. Nesse sentido, a nova trama das sete da Globo, “Quem Ama Cuida”, começa a gerar debates ao apresentar a personagem Brigitte Brandão, interpretada por Tatá Werneck.
Brigitte, que mergulha intensamente em cada relacionamento, idealizando parceiros e colocando sua vida amorosa como centro de suas decisões, desperta identificação em parte do público. No entanto, sua história também traz à tona uma questão que especialistas apontam como cada vez mais comum: a dependência emocional.
Popularmente conhecida como “síndrome de amar demais”, essa condição se caracteriza pelo amor patológico, quando a felicidade, a autoestima e até o sentido da vida de uma pessoa passam a depender exclusivamente da presença ou da aprovação de outra. De acordo com a psiquiatra Maria Fernanda Caliani, o problema se manifesta quando o relacionamento deixa de ser uma escolha afetiva e se torna uma necessidade emocional permanente.
Nos casos de dependência emocional, comportamentos como medo excessivo da rejeição, necessidade constante de validação, ciúme intenso e dificuldade em estabelecer limites tornam-se frequentes. Outro aspecto relevante é a idealização que muitas pessoas fazem de seus parceiros, depositando neles a expectativa de resolver inseguranças e frustrações acumuladas ao longo da vida.
Essa idealização resulta, na maioria das vezes, em uma combinação de ansiedade, cobranças e sofrimento. Além disso, as redes sociais desempenham um papel importante nesse cenário, uma vez que a exposição constante a relacionamentos aparentemente perfeitos alimenta comparações e reforça a ideia equivocada de que o amor deve ser intenso o tempo todo para ser verdadeiro.
Ao abordar a dependência emocional através de uma personagem popular e com humor, a novela oferece um serviço relevante ao público. Por trás das situações engraçadas, existe uma discussão importante sobre autoestima, autonomia e saúde emocional. Uma das mensagens mais valiosas que a trama transmite é que relacionamentos saudáveis se constroem quando duas pessoas caminham juntas sem abrir mão de suas individualidades.
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