A escarlatina é uma doença infecciosa causada pela bactéria Streptococcus pyogenes (estreptococo do grupo A), a mesma que provoca casos de faringite e outras infecções de garganta — mas, no caso da escarlatina, a bactéria libera toxinas que causam uma reação intensa na pele e na mucosa.
Embora remeta a doenças de outras épocas, a escarlatina continua ativa e tem voltado a aparecer com frequência em surtos recentes, especialmente entre crianças em idade escolar.
Sintomas: A pele “fala” e muda de cor
Os sinais da escarlatina costumam surgir de forma repentina. Entre os sintomas mais comuns estão:
- Febre alta, calafrios e dor de garganta intensa.
- Erupção cutânea vermelha por praticamente todo o corpo, com textura áspera — como “lixa”. A pele costuma estar mais avermelhada nas dobras (axilas, virilha, ante-braços, atrás dos joelhos) e a área ao redor da boca costuma ficar mais clara.
- A famosa “língua de framboesa” — língua inchada, vermelha e com pontinhos — e bochechas coradas com um anel mais claro ao redor da boca.
- Às vezes, aparecem náuseas, vômitos, dor abdominal, dor de cabeça, mal-estar e aumento dos gânglios do pescoço.

Em geral, a erupção costuma surgir de 1 a 2 dias após a febre ou dor de garganta e durar cerca de uma semana — embora a descamação da pele possa se estender um pouco mais.
Quem pega — e como é transmitida
A escarlatina atinge com mais frequência crianças entre 5 e 15 anos, geralmente em contextos escolares ou creches — locais em que há maior proximidade, compartilhamento de objetos e proximidade física.
A bactéria se espalha principalmente por gotículas de saliva ou secreções nasais, liberadas quando a pessoa infectada tosse, espirra ou fala; mas também pode haver contágio pelo compartilhamento de objetos contaminados, como talheres, copos e brinquedos.
O período de incubação (tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas) geralmente varia de 2 a 5 dias.
As pessoas infectadas são contagiosas desde o início dos sintomas — e, se não tratadas, podem continuar transmitindo a bactéria por até 2 ou 3 semanas. Já com tratamento adequado, o risco de contágio cai rapidamente — normalmente após 24 horas do início dos antibióticos.
Diagnóstico, tratamento e recuperação
- O diagnóstico, em muitos casos, já pode ser feito com base apenas nos sintomas e no exame clínico.
- Para confirmar, o médico pode usar um swab (cotonete na garganta) para detectar a bactéria.
- O tratamento padrão é com antibióticos (geralmente Penicilina ou Amoxicilina).
- Alívio dos sintomas (febre, dor de garganta) pode vir com analgésicos/antitérmicos, repouso, ingestão de líquidos, alimentação leve e adequada — especialmente nos primeiros dias.
- Com tratamento certo, a recuperação costuma ser rápida, e o indivíduo deixa de ser contagioso em cerca de 24 h após o início dos antibióticos.
Importante: mesmo que os sintomas melhorem antes do fim do antibiótico, o ciclo deve ser completado — para evitar complicações ou recidivas.
Possíveis complicações (quando não tratada!)
Se não for tratada corretamente, a escarlatina pode evoluir para quadros mais graves: desde infecções de ouvido, pulmões, pele, até inflamações em rins, coração, articulações e meningite. Em longo prazo, há risco de febre reumática ou glomerulonefrite (problemas renais).
Por isso, é essencial que — ao menor sinal suspeito — busque atendimento médico logo.
Como prevenir e evitar que se espalhe
- Lavar as mãos com frequência e de forma correta;
- Evitar compartilhar objetos de uso pessoal (copos, talheres, brinquedos, guardanapos, toalhas, etc.);
- Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar;
- Afastar do convívio escolar/convívio social enquanto houver febre ou até 24–48 h após o início dos antibióticos.
É um alerta para pais, responsáveis e educadores: reconhecer os sintomas, buscar diagnóstico médico, tratar corretamente e aplicar medidas de prevenção pode impedir complicações sérias e evitar que a doença se espalhe pela comunidade.

Escarlatina: não é só “manchinha na pele” — observe a febre, a garganta inflamada, a pele avermelhada e a “língua de framboesa”. Diagnóstico rápido + antibiótico = boa recuperação. Não vacile com a saúde das crianças!
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