Nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, as forças de segurança do Rio de Janeiro realizaram a Operação Hawala, que resultou na prisão de uma mulher identificada como operadora financeira e três irmãos libaneses, envolvidos em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital), CV (Comando Vermelho), TCP (Terceiro Comando Puro) e com possíveis conexões à Al-Qaeda. No total, 10 pessoas foram detidas durante a ação.
Bárbara Luzia Souza de Carvalho foi apontada como uma das figuras centrais da organização criminosa. As investigações revelaram que, como administradora de várias empresas, ela movimentou dezenas de milhões de reais em faturamentos que eram considerados incompatíveis com a sua capacidade financeira declarada.
Os irmãos Reda, Yasser e Kassem Zayoun, também presos, são descritos como responsáveis por aumentar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos, operando estrategicamente na região da Tríplice Fronteira, que abrange Brasil, Paraguai e Argentina.
A investigação, que inicialmente focava na atuação do TCP no Complexo de São Carlos, no Rio de Janeiro, revelou que a mesma estrutura financeira também era utilizada para lavar dinheiro do CV e do PCC. O grupo funcionava como uma prestadora de serviços financeiros para diferentes organizações criminosas.
Um dos aspectos mais preocupantes da investigação é a possível conexão financeira com a Al-Qaeda. Autoridades identificaram relações comerciais entre empresas ligadas aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Departamento do Tesouro dos EUA, implicado na estrutura de financiamento do grupo terrorista. Este elo será um foco nas próximas etapas da apuração, onde os materiais apreendidos serão analisados para entender melhor a profundidade dessas transações.
O Ministério Público denunciou um total de 22 pessoas à Justiça do Rio de Janeiro. Entre os denunciados estão Bárbara Luzia Souza de Carvalho, Reda Zayoun, Yasser Zayoun, Kassem Zayoun, e outros que foram presos durante a operação. As investigações indicaram que o grupo utilizava empresas de fachada, ‘laranjas’, e depósitos fracionados para disfarçar a origem do dinheiro proveniente de atividades criminosas.
As equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada e da Coordenadoria de Recursos Especiais cumpriram dez mandados de prisão e 37 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares de bloqueio de ativos financeiros e indisponibilidade de bens. As operações foram realizadas em várias localidades, incluindo o Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu.
A estrutura criminosa investigada movimentou mais de R$ 100 milhões entre 2021 e 2024, utilizando dezenas de empresas de fachada para dar aparência legal ao dinheiro oriundo do tráfico de drogas e de outras atividades ilícitas. Essas práticas foram identificadas e analisadas com o apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) da Polícia Civil.
A atuação de empresários libaneses na região da Tríplice Fronteira foi destacada como um fator importante na ampliação da circulação de recursos ilícitos. Empresas registradas em São Paulo e Minas Gerais eram utilizadas para movimentar valores entre operadores financeiros e integrantes das organizações criminosas no Rio de Janeiro.
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