Investigação revela esquema de “desconto de fachada” na limpeza urbana que inflava preços logo em seguida; buscas alcançaram ex-gestor, sedes municipais e endereços em Sergipe e na Bahia.
A manhã desta terça-feira começou movimentada nos bastidores do poder municipal em Aracaju. Agentes da Polícia Civil bateram à porta da Prefeitura e da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) para recolher computadores e pilhas de documentos. A ação faz parte da Operação Histograma, que investiga um suposto esquema de fraudes e desvios de dinheiro público escondido por trás de contratos emergenciais de limpeza da cidade.
Ao todo, as equipes cumpriram 12 mandados de busca e apreensão espalhados por órgãos públicos, empresas privadas e residências em Aracaju, Barra dos Coqueiros e no estado da Bahia. Entre os alvos das buscas está o ex-presidente da Emsurb, Hugo Esoj. Além da sede da empresa responsável pelos serviços urbanos, os policiais também fizeram buscas na Secretaria Municipal do Planejamento, Orçamento e Gestão (SEPLOG).
A tática do “desconto ilusório”
O fio da meada começou a ser puxado após o recebimento de uma denúncia-crime que alertava para graves irregularidades na coleta de lixo e conservação da capital. Ao analisar a papelada, o Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap) encontrou um padrão suspeito: para vencer os contratos emergenciais, a empresa investigada oferecia descontos muito generosos em relação ao valor de referência estimado pela própria prefeitura.
A economia para os cofres públicos, no entanto, durava pouco. Ao longo do mesmo ano, em contratos seguintes, as tarifas cobradas por unidade subiam drasticamente. Essa manobra anulava qualquer vantagem inicial para o município, recompondo os preços de forma artificial e superfaturada.
Tentáculos na Educação
Com as portas abertas na gestão municipal, a empresa não se limitou à limpeza das ruas. A investigação apurou que o mesmo grupo expandiu seus negócios dentro da prefeitura e faturou outro contrato de grande valor, desta vez na Secretaria Municipal da Educação (Semed).
A megaoperação contou com uma força-tarefa formada por policiais do Deotap, do Departamento de Crimes contra o Patrimônio (Depatri) e do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), além do apoio estratégico do Ministério Público da Bahia. Todo o material apreendido passará por perícia para mapear a extensão do prejuízo aos cofres públicos e identificar todos os envolvidos.
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