O presidente colombiano chamou de 'desrespeitoso' o aviso emitido pela embaixada americana sobre riscos de violência no pleito. O 2º turno ocorre neste domingo.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, rejeitou, na última sexta-feira (19 de junho de 2026), o alerta emitido pela embaixada dos Estados Unidos em Bogotá. O aviso se referia à possibilidade de protestos e episódios de violência durante e após as eleições presidenciais colombianas. O segundo turno das eleições ocorrerá neste domingo (21 de junho de 2026), entre Abelardo de la Espriella, do partido Defensores de la Patria, e Iván Cepeda, do Pacto Histórico.
Petro classificou o comunicado norte-americano como “desrespeitoso” e solicitou que a missão diplomática cessasse os alarmes sobre a segurança dos cidadãos dos EUA que residem na Colômbia. O presidente afirmou que não há riscos para os norte-americanos, nem durante a eleição, nem após o término de seu mandato, que se dará em 6 de agosto.
“No domingo, todos os colombianos e colombianas terão que decidir se trocam a bandeira colombiana pela bandeira americana”, declarou Petro.
Ainda em seu discurso, o presidente, aliado de Cepeda, reafirmou que deixará o Palácio de Nariño na data prevista pela Constituição, sem prorrogações em seu mandato. Após a divulgação dos resultados do primeiro turno, que colocaram Espriella à frente, Petro expressou dúvidas sobre a lisura do pleito e prometeu apresentar evidências de uma possível fraude eleitoral.
O clima de tensão política na Colômbia é intensificado pelo assassinato de Miguel Uribe, senador e pré-candidato à presidência, ocorrido em agosto de 2025. Uribe foi baleado durante um evento político em Bogotá e faleceu dois meses depois. Além disso, em 15 de maio, dois integrantes da equipe de campanha de Espriella foram mortos a tiros no departamento de Meta.
Os candidatos ao cargo têm propostas distintas. Abelardo de la Espriella, advogado de 47 anos, é conhecido como “El Tigre” e tem um discurso alinhado a líderes como Donald Trump. Suas principais propostas incluem a reforma das instituições para combater o tráfico de drogas e a corrupção, além de desmantelar milícias.
Por outro lado, Iván Cepeda, filósofo e senador de 63 anos, é defensor dos direitos humanos e já viveu em exílio devido a ameaças. Entre suas propostas estão a reforma agrária e um fundo de microcrédito para apoiar microempresas familiares.
Uma pesquisa da AtlasIntel, divulgada em 13 de junho, indica Espriella à frente na preferência do eleitorado, com 50,9% das intenções de voto, enquanto Cepeda aparece com 43,1%. O levantamento, realizado entre 9 e 11 de junho, entrevistou 2.030 pessoas e possui margem de erro de 2 pontos percentuais.

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