O estreito de Ormuz voltou a operar e os mercados comemoraram: petróleo caiu 10% e gasolina bateu mínima desde março. Especialistas, porém, alertam que o otimismo pode ser exagerado.
O recente acordo para reabrir o Estreito de Ormuz foi recebido com alívio nos mercados financeiros. Contudo, analistas expressam preocupação de que a alta nas ações e a queda nos preços do petróleo possam ser exageradas.
Na última quinta-feira (18), o preço do petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, fechou a US$ 76,60 o barril, apresentando uma queda de quase 10% na semana. Paralelamente, o preço da gasolina caiu abaixo de US$ 4 o galão pela primeira vez desde março, enquanto as ações das empresas norte-americanas se aproximam de máximas históricas.
“Os operadores estão, de certa forma, precificando a perfeição”, afirmou David Oxley, economista-chefe de commodities e clima da Capital Economics. “É o alívio de saber que o estreito está aberto – essa é uma notícia maravilhosa em comparação com o cenário apocalíptico de ele estar fechado.”
Entretanto, Oxley também destacou que o mercado pode ter exagerado nas expectativas. “Isso não é necessariamente um sinal de que tudo vai correr completamente bem daqui para frente”, completou.
Com o otimismo sobre o aumento do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz após a assinatura do acordo entre os EUA e o Irã, os futuros do petróleo e os preços da gasolina caíram. No entanto, os analistas alertam que o mercado pode estar desconsiderando riscos importantes e reagindo mais ao entusiasmo do que à realidade.
O tráfego pelo estreito ainda é muito inferior aos níveis que eram registrados antes do início do conflito. O estreito, que foi um ponto central do conflito, continua a apresentar custos elevados de seguro para os navios que por ali navegam, além de incertezas sobre a presença de minas na região.
O acordo estipula um cessar-fogo de 60 dias, o que levanta a possibilidade de que o estreito possa ser fechado novamente após esse período ou que surjam complicações logísticas com o pagamento de taxas de tráfego por parte do Irã.
Além disso, os produtores da região do Golfo enfrentam o desafio de reestruturar sua produção e se recuperar dos danos decorrentes da guerra.
“Vejo um risco bastante substancial de que isso não se desenrole de forma tão otimista quanto talvez alguns estejam precificando no mercado”, afirmou Adam Turnquist, estrategista-chefe técnico da LPL Financial.
No contexto das ações, o índice S&P 500 teve um aumento de 9% desde o início da guerra com o Irã, em fevereiro. Apesar da alta, as ações sofreram uma queda na quarta-feira, após o Federal Reserve decidir manter as taxas de juros inalteradas, levando os operadores a precificarem um possível aumento já em setembro.
O mercado de ações, em meio a máximas históricas, parece ignorar as preocupações geopolíticas, o que tem gerado um impacto positivo nos saldos dos planos 401(k) e nas contas de aposentadoria. A queda nos preços do petróleo é um fator que favorece as ações, mas a continuidade da turbulência no Oriente Médio representa um risco persistente.
“O mercado está realmente otimista com a notícia de que um acordo foi alcançado e, por isso, não está levando em conta os riscos nos próximos 60 dias”, concluiu Turnquist.
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