A Polícia Federal cumpriu mandados na residência do senador Jaques Wagner (PT-BA) em Salvador. A ação integra a 9ª fase da Operação Compliance Zero e mira esquema envolvendo o Banco Master.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, cumprindo mandados de busca e apreensão no apartamento do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), em Salvador (BA). O caso, que envolve o Banco Master, abrange diversos espectros políticos, conforme análise de Gustavo Uribe, âncora da CNN.
Uribe destacou que Daniel Vorcaro, figura central no escândalo, tinha relações com diferentes grupos políticos, incluindo o PT da Bahia. A operação, que não atingiu o gabinete de Wagner no Congresso Nacional, também tem em seu foco Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, que já havia sido preso na primeira fase da operação.
As investigações levantam suspeitas sobre irregularidades em um programa de crédito consignado que foi criado durante a gestão de Wagner como governador da Bahia. Esse programa, gerido por Augusto Lima, é conhecido como “CredCesta” e estava disponível em 24 estados em 2024, visando atender servidores públicos.
Augusto Lima, também conhecido como Guga Lima, é um empresário com patrimônio estimado em quase R$ 1 bilhão, tendo atuado em bancos que passaram por liquidação, como o Banco Pleno e posteriormente o Banco Máxima, que se tornou o Banco Master. Além disso, ele possui laços com Flávia Arruda, ex-mulher de um ex-governador do Distrito Federal e integrante do governo de Jair Bolsonaro.
As investigações apontam para contratos antigos com o governo da Bahia relacionados à privatização da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos) e ao programa “Cesta do Povo”. Uribe comentou que esses contratos são antigos e se relacionam diretamente com o crédito consignado criado na gestão de Wagner.
“Esses contratos do ‘CredCesta’ são antigos com o governo da Bahia, principalmente nessas operações de negociação em relação ao crédito consignado criado na gestão de Jaques Wagner”, destacou Uribe.
O impacto político do caso é significativo, uma vez que Jaques Wagner é um dos principais conselheiros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e figura em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para o Senado na Bahia. O Palácio do Planalto já discutia a possibilidade de retirar Wagner da liderança do governo no Senado, devido a frustrações em relação a votações recentes.
“É muito difícil separar o escândalo do Banco Master de Jaques Wagner de Luiz Inácio Lula da Silva. Eles são aliados históricos”, pontuou Uribe.
As consequências da operação também refletem na disputa eleitoral na Bahia, onde o PT está no governo há quase duas décadas. Jaques Wagner e Rui Costa estão formando uma chapa para o Senado, enquanto o atual governador Jerônimo Rodrigues enfrenta desafios para se reeleger. Fontes do PT indicam que Lula aguardará os desdobramentos das investigações antes de tomar decisões sobre as chapas.
Além disso, o escândalo do Banco Master envolve suspeitas de operações com créditos problemáticos que podem causar prejuízos a servidores públicos e aposentados, sugerindo uma abrangência que vai além do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
“No final do dia, é sim um prejuízo esse escândalo para servidores públicos, para aposentados e pensionistas que contribuíram a vida toda com esses fundos e agora podem receber menos por causa de investimentos mal feitos no Banco Master”, afirmou Uribe.
Com a 9ª fase da operação, o foco agora está em Jaques Wagner e no PT da Bahia, enquanto a investigação continua a revelar as complexas relações políticas que envolvem o caso.
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