Credenciais de servidores do Pará foram usadas para disparar dez mensagens falsas na madrugada de sábado. Textos com termos como 'ataque alienígena' atingiram sete estados e o DF.
Credenciais de dois agentes da Defesa Civil do Pará foram utilizadas para enviar dez alertas falsos a milhões de celulares durante a madrugada de sábado, 20 de junho de 2026. As mensagens atingiram sete estados e o Distrito Federal, de acordo com informações que estão sendo apuradas pela Polícia Federal.
Documentos encaminhados pelo governo federal à PF indicam que um agente externo pode ter acessado a plataforma de envio de alertas usando as contas dos dois servidores estaduais. As mensagens disparadas continham termos como “misantropia”, “misantropi4” e “ataque alienígena”, que não se relacionavam a situações de emergência reais.
Os alertas foram enviados para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Paraná e Acre, além do Distrito Federal. É importante ressaltar que o número total de alertas não necessariamente corresponde ao número de estados afetados, já que um único alerta pode alcançar várias regiões ao mesmo tempo.
No documento enviado à PF, o governo federal destacou que a situação é ainda mais grave, pois os disparos foram direcionados a áreas que não são de atuação dos agentes, que tinham autorização apenas para emitir alertas no Pará.
O primeiro alerta falso foi emitido às 23h41 da sexta-feira, 19 de junho de 2026, com o uso das credenciais de um dos agentes, sendo enviado ao Rio de Janeiro na categoria “deslizamentos”. O alerta continha uma mensagem incoerente: “misantropo ADRESS RJ burros dms pprt”. Quatro minutos depois, um novo alerta foi enviado a Curitiba, também na categoria “deslizamentos”, com apenas a palavra “misantropia”. Outros oito alertas foram disparados entre 1h20 e 1h23 do dia 20 de junho, utilizando as credenciais do segundo agente.
Nove dos dez alertas foram enviados por meio da tecnologia cell broadcast, que permite o envio automático a todos os celulares conectados às antenas de telefonia de uma determinada área, enquanto um utilizou o sistema de SMS. Todas as mensagens foram registradas como de “nível extremo”, uma categoria reservada para situações que exigem ação imediata.
A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil informou que as mensagens não continham conteúdo técnico ou institucional compatível com os protocolos de Defesa Civil. As mensagens foram descritas como “ofensivas, incoerentes e sem relação com eventos reais”.
Em entrevista coletiva, o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, afirmou que as evidências sugerem um ataque cibernético. “Tudo indica que o incidente não foi causado por alguém do próprio sistema. Tudo leva a crer que foi um ataque hacker”, declarou.
A plataforma de envio de alertas foi retirada do ar por volta de 1h30 do sábado, com a PF sendo acionada para investigar o caso. Um documento interno do governo revelou que a equipe responsável bloqueou a credencial utilizada nos primeiros disparos, mas o segundo agente continuou com acesso à plataforma. O ataque visou a plataforma Idap (Integração de Dados de Alerta à População), e a Defesa Civil Nacional também registrou um incidente de segurança junto ao Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos do Governo Federal.
O governo ainda investiga o uso indevido das credenciais e a possibilidade de que o responsável tenha operado a plataforma sem as devidas restrições territoriais, enviando alertas para áreas nas quais não tinha autorização.
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