O mercado de biodefensivos no Brasil está em rápida expansão, mas ainda enfrenta distorções que podem aumentar os custos de produção e comprometer a eficiência no campo. Um levantamento da Aegro Insights revelou que um mesmo produto pode ter uma variação de até 77% no preço, dependendo do canal de comercialização.
O estudo analisou os 20 bioinseticidas e bionematicidas mais utilizados na safra 2025/26, com base em notas fiscais anonimizadas e dados operacionais de propriedades rurais. Foi constatado que existem produtos formulados com o mesmo agente biológico, mas que são vendidos por marcas diferentes a preços significativamente distintos, sem justificativas técnicas para tais diferenças.
O levantamento destacou que a forma de aquisição do insumo impacta diretamente no preço. Comprar diretamente do fabricante pode reduzir o valor pago por litro em até 60% em negociações de maior volume, em comparação à aquisição por outros canais, como cooperativas e revendas.
Um exemplo observado foi a variação de preços para produtos com o agente biológico Bacillus velezensis, que custaram entre R$ 31 e R$ 50 por hectare. Isso reforça a necessidade de que o produtor avalie não apenas o preço, mas também as características técnicas de cada formulação.
Além do custo, o estudo também chamou atenção para falhas no manejo dos biodefensivos. Entre os casos avaliados, 90% das aplicações do produto Trichodermil Super SC ocorreram abaixo da dose mínima indicada na bula. Enquanto o fabricante recomenda aplicações entre 0,8 e 1 litro por hectare, a dose mediana observada foi de apenas 0,10 litro por hectare.
“Quando o produto é aplicado abaixo da dose para a qual foi desenvolvido e testado, o controle das pragas e doenças tende a ser inferior ao esperado”, afirma Mauricio Schneider, CEO da Aegro.
Segundo Schneider, o setor de biológicos no Brasil está passando por uma nova fase de desenvolvimento, marcada pelo aumento da concorrência, expansão da capacidade produtiva e redução gradual do custo por hectare. Esse amadurecimento amplia as opções disponíveis aos produtores, mas também torna mais complexa a tomada de decisão.
O executivo recomenda que os produtores comparem informações técnicas, avaliem as características das cepas, a concentração dos agentes biológicos e calculem o custo por hectare antes de realizar a compra. A escolha dos biodefensivos deve levar em consideração fatores como a identificação da cepa, a concentração do agente biológico, a dose recomendada, a compatibilidade com misturas, a janela de aplicação e o custo por hectare em comparação aos defensivos químicos.
A Aegro também destaca a importância de avaliar benefícios indiretos, como a redução de resíduos, o manejo da resistência de pragas e a sustentabilidade da produção. A expectativa é ampliar esse tipo de levantamento para outras categorias de insumos agrícolas, utilizando mineração de dados para identificar oportunidades de redução de custos e aprimoramento da gestão nas fazendas.
Com o crescimento acelerado do mercado de produtos biológicos, a utilização de informações técnicas e indicadores de desempenho tende a ganhar importância na definição das estratégias de manejo e na rentabilidade das propriedades rurais.
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