O presidente sírio Ahmed Al-Sharaa descartou intervenção imediata no Líbano. Em entrevista, ele condicionou qualquer ação a um pedido formal do governo libanês.
A Síria anunciou que só intervirá no Líbano mediante solicitação do governo libanês. A afirmação foi feita pelo presidente sírio, Ahmed Al-Sharaa, em uma entrevista televisionada no último domingo (21). Al-Sharaa descartou qualquer intervenção imediata nos assuntos do país vizinho, especialmente após comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Durante a entrevista ao canal de notícias Al Mashhad, Al-Sharaa afirmou que, caso a intervenção sirva aos interesses tanto do Líbano quanto da Síria, ele estaria disposto a se reunir com o Hezbollah, grupo armado libanês que é apoiado pelo Irã e com o qual ele se opôs durante anos, especialmente durante a guerra civil síria.
Na semana passada, Trump sugeriu a repórteres que a Síria deveria conter o Hezbollah, afirmando que “eles fariam um trabalho melhor”. Em resposta, Al-Sharaa afirmou que as declarações do presidente dos Estados Unidos foram mal interpretadas, como se as forças sírias entrariam no Líbano imediatamente. Ele enfatizou a possibilidade de um “papel positivo para a Síria” através das instituições estatais do Líbano.
Historicamente, a Síria teve uma forte presença no Líbano, dominando a cena política do país por quase três décadas até 2005. As forças sírias foram inicialmente enviadas ao Líbano em 1976 durante a guerra civil, sob a justificativa de serem forças de paz. Entretanto, muitas pessoas consideram que a presença síria se transformou em uma ocupação após o fim do conflito.
Desde que assumiu o poder em 2024, Al-Sharaa tem adotado uma postura diferente de seus antecessores. Ele se opõe à intervenção militar, critica o apoio do Irã a Bashar al-Assad e busca promover o diálogo com antigos adversários, incluindo Israel. “O Líbano precisa de soluções criativas. Não podemos continuar utilizando as mesmas abordagens tradicionais”, declarou Al-Sharaa, referindo-se à histórica intervenção síria no Líbano.
Ele questionou ainda por que o Líbano sempre se vê diante da escolha entre uma guerra civil e um conflito com Israel, propondo a busca por uma terceira opção.
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