Pesquisa da FGV Ibre aponta recuo na produtividade brasileira no início de 2026. O dado surge no momento em que o Congresso discute o fim da jornada 6×1, acendendo o alerta de especialistas sobre os rumos da economia.
Uma pesquisa realizada pelo FGV Ibre revelou que a produtividade por horas trabalhadas no Brasil apresentou um recuo de 0,5% no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior. O resultado surge em meio ao debate no Congresso Nacional sobre a possível eliminação da escala de trabalho 6×1, o que levanta questionamentos sobre os efeitos que essa mudança pode ter sobre a economia brasileira.
Em entrevista, Tatiana Pinheiro, consultora econômica e pesquisadora da FGV-EESP, destacou que existem fatores conhecidos e persistentes que explicam o baixo crescimento da produtividade no país. “Além da questão do custo do capital e da taxa de juros elevada, que desincentivam o investimento produtivo, há também a escassez de mão de obra qualificada, que contribui para a falta de investimento nos setores”, afirmou.
Tatiana também ressaltou um desequilíbrio estrutural entre os setores da economia. Enquanto o agronegócio tem registrado um crescimento consistente de produtividade nas últimas três décadas, a indústria e os serviços permanecem estagnados. Como o setor de serviços representa cerca de 60% do PIB brasileiro, sua baixa produtividade acaba impactando negativamente o desempenho geral da economia.
“O impacto da jornada de trabalho na produtividade é real e documentado”, afirmou Tatiana ao ser questionada sobre essa relação.
Ela ressaltou que a discussão sobre o fim da escala 6×1 deve levar em conta não apenas os custos diretos para os setores produtivos, mas também os custos decorrentes do adoecimento dos trabalhadores, que recai sobre o Estado e as empresas.
Além disso, Tatiana mencionou uma recente queda do Brasil em um ranking mundial de competitividade envolvendo 70 países, onde o país caiu sete posições, alcançando a 65ª colocação. Os principais fatores para essa queda incluem o alto custo do capital, a fragilidade institucional e a baixa qualidade da mão de obra. “Mesmo com a aprovação da reforma tributária, a carga tributária no Brasil continua sendo complexa e pesada”, acrescentou.
Para a pesquisadora, o fim da escala 6×1, quando analisado exclusivamente pela perspectiva da produtividade da força de trabalho, pode ser positivo. No entanto, ela defende que o tema precisa ser amplamente discutido antes de qualquer decisão. “A decisão não deve ser apressada, mas precisa ser debatida. É essencial que se dedique tempo a esse assunto para definir um plano adequado, pois aumentar a produtividade do Brasil é crucial e um dos caminhos é através da força de trabalho”, concluiu.
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