Levantamento da FGV Ibre revela queda na produtividade brasileira no início de 2026. O dado acende alerta sobre desafios estruturais que travam o crescimento econômico nacional.
A baixa produtividade continua a ser um desafio crônico da economia brasileira, conforme evidenciado por dados recentes. Um levantamento do FGV Ibre aponta uma queda de 0,5% na produtividade por horas trabalhadas no primeiro trimestre de 2026, refletindo uma tendência que preocupa o país há décadas.
A competitividade de uma nação abrange mais do que números; ela envolve a qualidade do ambiente institucional, econômico e estrutural que influencia a capacidade produtiva e a eficiência do setor privado. A consultora econômica e pesquisadora da FGV-EESP, Tatiana Pinheiro, destaca que um dos caminhos para aumentar a produtividade e a competitividade do Brasil é a qualificação da força de trabalho.
“Vemos um quadro já de três décadas com o agronegócio apresentando crescimento da produtividade, enquanto indústria e serviços seguem estagnados. Tudo isso se sobrepõe ao desempenho do agro e o total é o quadro apontado pelo Ibre.”
De acordo com Carlos Honorato, da FIA Business School, a competitividade brasileira enfrenta gargalos em várias frentes. Ele ressalta que há uma dificuldade básica na formação educacional, que inclui o conhecimento de matemática, português e linguagem, desde a educação básica até a formação profissional.
O desempenho dos setores produtivos revela uma divisão persistente. Tatiana Pinheiro observa que o agronegócio tem se destacado, enquanto a indústria e os serviços permanecem estagnados. Esse desequilíbrio é ainda mais preocupante considerando que o setor de serviços tem um peso significativo no PIB, o que influencia negativamente o desempenho geral da economia.
Além disso, a taxa básica de juros elevada, atualmente em 14,25% ao ano, desencoraja o investimento produtivo no Brasil. Tatiana Pinheiro enfatiza que a ligação entre custos, produtividade e o debate sobre o fim da escala 6×1 precisa ser mais aprofundada.
“O plano deveria ser mais debatido, isso porque o assunto precisa ser endereçado e quanto mais consenso, melhor.”
Honorato menciona também a alta informalidade no mercado de trabalho como um fator que dificulta a incorporação de mão de obra qualificada e a melhoria da capacidade produtiva, mesmo em setores avançados. Obstáculos como logística e carga tributária são citados como barreiras que limitam o desempenho produtivo do país.
No cenário internacional, o Brasil caiu sete posições no ranking de competitividade e ocupa agora o 65º lugar entre 70 economias avaliadas, conforme um estudo de 2026 do IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral. Analisando os países no topo do ranking, como Singapura, Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos, Honorato destaca a importância de uma visão estratégica de longo prazo.
Tatiana Ribeiro complementa que os fatores considerados no ranking incluem o custo de capital, a fragilidade institucional e a qualidade da mão de obra, ressaltando que “o grande ponto da queda é a força de trabalho”.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

