Oposição consegue derrubar o texto do relator, que pedia o indiciamento de ex-gestores; governo sofre derrota simbólica e estratégica na comissão.
BRASÍLIA – Em uma sessão marcada por intensos debates e trocas de acusações, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS encerrou seus trabalhos sem a aprovação do relatório final. O texto, que apresentava conclusões sobre desvios e má gestão nos últimos anos, não obteve os votos necessários, sendo arquivado após uma manobra de blocos independentes e da oposição.
O Placar da Votação
O G1 disponibilizou a lista completa de como cada parlamentar votou, revelando traições em partidos que ocupam ministérios:
- Votos contra o relatório: Focaram na tese de que o texto era “parcial”, “politizado” e que não apresentava provas robustas para os pedidos de indiciamento.
- Votos a favor do relatório: Defenderam que as evidências colhidas durante os meses de depoimentos eram suficientes para encaminhar o caso ao Ministério Público Federal (MPF).
- Ausências Estratégicas: Pelo menos três senadores da base aliada não compareceram à votação, o que foi decisivo para o resultado negativo ao governo.
- Veja a seguir a lista dos deputados contrários e favoráveis ao relatório:
- A FAVOR (12 votos)
- Magno Malta (PL-ES), senador
- Marcio Bittar (PL-AC), senador
- Izalci Lucas (PL-DF), senador
- Eduardo Girão (Novo-CE), senador
- Rogério Marinho (PL-RN), senador
- Damares Alves (Republicanos-DF), senadora
- Coronel Fernanda (PL-MT), deputada
- Coronel Chrisóstomo (PL-RO), deputado
- Marcel Van Hattem (Novo-RS), deputado
- Alfredo Gaspar (União-AL), deputado e relator da CPMI
- Bia Kicis (PL-DF), deputada
- Adriana Ventura (Novo-SP), deputada
- CONTRA (19 votos)
- Soraya Thronicke (Podemos-MS), senadora
- Randolfe Rodrigues (Rede-AP), senador
- Jaques Wagner (PT-BA), senador
- Eliziane Gama (PSD-MA), senadora
- Humberto Costa (PT-PE), senador
- Jussara Lima (PSD-PI), senadora
- Rogério Carvalho (PT-SE), senador
- Augusta Brito (PT-CE), senadora
- Teresa Leitão (PT-PE), senadora
- Meire Serafim (União Brasil-AC), deputada
- Átila Lira (PP-PI), deputado
- Orlando Silva (PCdoB-SP), deputado
- Rogério Correia (PT-MG), deputado
- Ricardo Ayres (Republicanos-TO), deputado
- Alencar Santana (PT-SP), deputado
- Paulo Pimenta (PT-RS), deputado
- Lindbergh Farias (PT-RJ), deputado
- Neto Carletto (Avante-BA), deputado
- Dorinaldo Malafaia (PDT-AP), deputado
- Sessão durou quase 16 horas
As Consequências Políticas
A rejeição do relatório gera um “vácuo” nas investigações parlamentares sobre o tema:
- Impunidade vs. Justiça: Para a oposição, a rejeição evita “perseguição política”. Para o governo, é uma vitória da impunidade sobre as falhas no atendimento aos aposentados.
- Sinal de Alerta para o Planalto: A derrota mostra que o Palácio do Planalto não tem controle total sobre as comissões mistas, o que pode dificultar a aprovação de reformas econômicas futuras.
- Destino das Provas: Mesmo sem o relatório aprovado, parlamentares individualmente podem encaminhar as provas colhidas pela comissão à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.
Resumo da Votação na CPMI
| Bloco | Tendência de Voto | Justificativa Comum |
| Governo | Sim ao Relatório | Necessidade de punir erros de gestões passadas. |
| Oposição | Não ao Relatório | Texto considerado “peça de ficção e perseguição”. |
| Centro/Independentes | Dividido | Questionamentos sobre o rigor técnico das provas. |
Sábado de “Fogo Cruzado” em Brasília
A rejeição deste relatório ocorre no mesmo dia em que:
- A defesa de Jair Bolsonaro pede a Alexandre de Moraes a liberação de visitas dos filhos na prisão domiciliar.
- A deputada Erika Hilton enfrenta um abaixo-assinado com 100 mil assinaturas contra sua atuação.
- No Judiciário, o ministro Alexandre de Moraes continua sendo o foco das atenções em relação ao seu “hiperativismo”, conforme noticiado recentemente.
Este desfecho na CPMI do INSS promete gerar novos pedidos de investigação e deve pautar os discursos na Câmara e no Senado na próxima semana.


