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Saúde

Risco de morte pós-operatória é 2,4 vezes maior em pacientes com doença de Chagas, diz estudo

Pacientes com doença de Chagas que apresentam arritmias graves têm risco de mortalidade pós-operatória significativamente maior do que pessoas...

28/05/2026 · 14h42
Risco de morte pós-operatória é 2,4 vezes maior em pacientes com doença de Chagas, diz estudo

Pacientes com doença de Chagas que apresentam arritmias graves têm risco de mortalidade pós-operatória significativamente maior do que pessoas submetidas a cirurgias cardíacas por outras causas, aponta pesquisa da Faculdade de Medicina da USP. O estudo identificou aumento de aproximadamente 2,4 vezes na chance de óbito no pós-operatório para esse grupo, com mortalidade global de 36%.

A análise considerou 378 procedimentos realizados em 288 pacientes no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) entre 2011 e 2020. Os resultados foram publicados na revista The Lancet Regional Health – Americas.

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Segundo os pesquisadores, a maior mortalidade não decorre de maior frequência de arritmias em si — essas arritmias podem ocorrer, mas não são mais comuns do que em outros tipos de cardiopatia —, e sim de fatores não cardíacos relacionados à complexidade das intervenções. Em pacientes com Chagas, as cirurgias frequentemente exigem acesso à camada externa do coração (epicárdio), procedimento necessário em quase 80% dos casos avaliados. Em comparação, entre portadores de cardiopatia isquêmica esse acesso é necessário em cerca de 15% das operações.

O estudo descreve que o acesso mais complexo ao epicárdio eleva o risco de complicações intraoperatórias e instabilidade clínica, o que contribui para a maior taxa de mortalidade observada após as cirurgias.

Os autores ressaltam também a importância do acompanhamento rigoroso da insuficiência cardíaca e de comorbidades após a alta hospitalar, e sugerem que sejam pensados protocolos de seguimento específicos para pacientes com doença de Chagas, considerando que a maioria dessa população é atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), afirmou Rodrigo Melo Kulchetscki, um dos autores e doutorando em cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP.

Os pesquisadores reconhecem limitações do estudo associadas à estrutura do serviço: o número de seguimentos variou e não permitiu analisar com precisão associações pequenas; alguns exames, como o mapeamento eletroanatômico, não foram realizados em todos os pacientes por restrições orçamentárias; não houve monitoramento detalhado da rotina de medicamentos ao longo do período e os protocolos pós-operatórios variaram entre os casos.

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Contexto epidemiológico

A pesquisa lembra que a doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e atinge hoje cerca de 7 milhões de pessoas, com outras 100 milhões residindo em áreas de risco. Estimam-se entre 30 mil e 40 mil novos casos por ano, e menos de 10% dos infectados estão diagnosticados. A forma mais grave da doença está presente em 21 países da América Latina e, de forma pontual, em regiões da América do Norte, Europa, Japão e Austrália.

Os resultados apontam para a necessidade de cuidados específicos no peri e pós-operatório desses pacientes, bem como atenção às limitações identificadas pelos autores na coleta e no seguimento dos dados.

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Com informações de Agência Brasil

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Pacientes com doença de Chagas que apresentam arritmias graves têm risco de mortalidade pós-operatória significativamente maior do que pessoas submetidas a cirurgias cardíacas por outras causas, aponta pesquisa da Faculdade de Medicina da USP. O estudo identificou aumento de aproximadamente 2,4 vezes na chance de óbito no pós-operatório para esse grupo, com mortalidade global de 36%.

A análise considerou 378 procedimentos realizados em 288 pacientes no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) entre 2011 e 2020. Os resultados foram publicados na revista The Lancet Regional Health – Americas.

Segundo os pesquisadores, a maior mortalidade não decorre de maior frequência de arritmias em si — essas arritmias podem ocorrer, mas não são mais comuns do que em outros tipos de cardiopatia —, e sim de fatores não cardíacos relacionados à complexidade das intervenções. Em pacientes com Chagas, as cirurgias frequentemente exigem acesso à camada externa do coração (epicárdio), procedimento necessário em quase 80% dos casos avaliados. Em comparação, entre portadores de cardiopatia isquêmica esse acesso é necessário em cerca de 15% das operações.

O estudo descreve que o acesso mais complexo ao epicárdio eleva o risco de complicações intraoperatórias e instabilidade clínica, o que contribui para a maior taxa de mortalidade observada após as cirurgias.

Os autores ressaltam também a importância do acompanhamento rigoroso da insuficiência cardíaca e de comorbidades após a alta hospitalar, e sugerem que sejam pensados protocolos de seguimento específicos para pacientes com doença de Chagas, considerando que a maioria dessa população é atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), afirmou Rodrigo Melo Kulchetscki, um dos autores e doutorando em cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP.

Os pesquisadores reconhecem limitações do estudo associadas à estrutura do serviço: o número de seguimentos variou e não permitiu analisar com precisão associações pequenas; alguns exames, como o mapeamento eletroanatômico, não foram realizados em todos os pacientes por restrições orçamentárias; não houve monitoramento detalhado da rotina de medicamentos ao longo do período e os protocolos pós-operatórios variaram entre os casos.

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Contexto epidemiológico

A pesquisa lembra que a doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e atinge hoje cerca de 7 milhões de pessoas, com outras 100 milhões residindo em áreas de risco. Estimam-se entre 30 mil e 40 mil novos casos por ano, e menos de 10% dos infectados estão diagnosticados. A forma mais grave da doença está presente em 21 países da América Latina e, de forma pontual, em regiões da América do Norte, Europa, Japão e Austrália.

Os resultados apontam para a necessidade de cuidados específicos no peri e pós-operatório desses pacientes, bem como atenção às limitações identificadas pelos autores na coleta e no seguimento dos dados.

Com informações de Agência Brasil

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