O senador Rogério Carvalho (PT/SE) defendeu nesta quarta-feira, 25, a adoção de quebras de sigilo bancário e fiscal e a convocação de testemunhas na CPI do Crime Organizado do Senado para aprofundar apurações sobre um suposto esquema financeiro que teria movimentado mais de R$ 80 bilhões. A manifestação ocorreu na reunião matinal da comissão, dedicada a investigar operações que atingem o sistema financeiro.
Carvalho afirmou que o caso configura “um dos maiores esquemas do sistema financeiro brasileiro” e alertou para o risco sistêmico, com impacto potencial sobre milhares de correntistas e investidores. Segundo o senador, além das perdas individuais, existe ameaça à confiança no mercado, podendo provocar fuga de capitais se as instituições não mantivessem histórico de solidez.
O parlamentar pediu medidas firmes, porém ponderadas, para garantir transparência sem provocar pânico. Ele relatou que as investigações apontam para uma sofisticada rede de operações financeiras que teria legitimado um modelo piramidal associado ao Banco Master. Em seu pronunciamento, Carvalho disse que a instituição teria utilizado diversos instrumentos e tecnologias do mercado para operacionalizar as transações que hoje estão sob suspeita.
Carvalho citou ainda que grandes players do setor, como BTG Pactual, Nubank e BRB, teriam comprado e vendido títulos vinculados ao Master, o que, na avaliação do senador, evidencia a complexidade das articulações. Como comparação, mencionou o caso do antigo BESC, no qual, segundo ele, uma ação que valia R$ 1,00 chegou a ser negociada por R$ 600,00, indicando indícios de crime contra a economia popular e contra o sistema financeiro.
O senador também ressaltou a importância das instituições públicas na preservação da estabilidade econômica do país. Ele elogiou a credibilidade do governo e a existência de bancos públicos sólidos, como Banco do Brasil e Caixa, e destacou o acompanhamento do Banco Central e do Ministério da Fazenda sobre o caso.

Em tom firme, Carvalho defendeu a convocação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para que preste esclarecimentos à CPI sobre as ações adotadas diante dos primeiros sinais de conduta temerária por parte da instituição envolvida. O senador afirmou manter “excelente relação” com o dirigente, mas considerou essencial que ele explique as medidas tomadas.
Ao ampliar o debate, o parlamentar vinculou o episódio às estratégias do governo no enfrentamento ao crime organizado, lembrando que organizações criminosas atuam também em estruturas financeiras complexas. Carvalho pediu que a CPI ouça todas as pessoas com conhecimento sobre a operação do Banco Master, sem seletividade, e concluiu que a comissão tem o dever de esclarecer como se dava a relação entre o banco e o suposto esquema que teria lesado brasileiros em mais de R$ 80 bilhões.
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