O senador Rogério Carvalho (PT-SE) afirmou nesta quarta-feira, 12, que os ataques de 8 de janeiro de 2023 contra as sedes dos Três Poderes constituíram uma “tentativa de golpe” e alertou para o que chamou de relativização da realidade. A declaração ocorreu durante reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, que sabatinou indicados ao Superior Tribunal Militar (STM), à Procuradoria-Geral da República (PGR), ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Os nomes analisados pela comissão foram Paulo Gonet (recondução à PGR), Anísio David de Oliveira Júnior e Flávio Marcus Lancia Barbosa (STM), além de Jaceguara Dantas da Silva e Fábio Francisco Esteves (CNJ).
Pandemia, desinformação e democracia
Carvalho declarou que negar fatos comprovados — como a gravidade da pandemia de Covid-19 e a organização dos atos de 8 de janeiro — “esfarela qualquer construção de sociedade e de institucionalidade”. O parlamentar recordou as mais de 700 mil mortes pela doença no Brasil e responsabilizou a propagação de informações falsas pelo agravamento da crise sanitária.
“Não foi ninguém que disse: foi o próprio presidente da República, à época, que chamou a Covid-19 de ‘gripezinha’, propagou cloroquina e colocou em dúvida a vacina”, afirmou o senador, destacando que a desinformação teria contribuído para mais de 300 mil mortes evitáveis.
O 8 de janeiro e a tentativa de golpe
O petista estabeleceu ligação direta entre a “manipulação da verdade” durante a pandemia e as narrativas que antecederam os atos de 2023 em Brasília. “Dizer que o 8 de janeiro foi mera movimentação de pessoas desorientadas é falso”, declarou. Segundo ele, os manifestantes estavam “acampados, insuflados, alimentados e treinados” ao lado de quartéis.
Carvalho também mencionou a contestação do resultado das eleições de 2022, lembrando o pedido público do presidente do PL para anular o pleito. “Houve uma articulação política e comunicacional para enfraquecer as instituições e corroer a confiança do povo na democracia”, disse.
O senador destacou que a legislação usada para condenar os envolvidos nos ataques foi relatada por ele no Senado e tipifica a “tentativa violenta de abolição do Estado Democrático de Direito”. “Foi isso o que houve: uma tentativa de golpe. Não há inocentes. Quem estava ali sabia o que estava fazendo”, concluiu.
Ao encerrar sua participação, Rogério Carvalho reiterou que negar fatos “fere o alicerce da democracia” e defendeu leis e instituições fortes para proteger o Estado Democrático de Direito.
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