Os tão esperados festejos juninos, repleto de tradições históricas, neste ano de 2025 apresenta uma formatação diferenciada em relação aos anos anteriores.
O Forró Caju patrocinado pela Prefeitura Municipal de Aracaju, foi estendido aos bairros maios populares da capital levando até eles artistas consagrados no cenário musical nordestino, a exemplo de Elba Ramalho e Flávio José.
Já na orla da praia de Atalaia instalou-se a Vila do forró ou Arraiá do povo, com uma vila cenográfica, e uma superestrutura com praça de alimentação e um palco da melhor qualidade, amplo e com sonorização excelente,
Entre as novidades um espaço para apresentações teatrais focadas na cultura nordestina e ações afirmativas focadas no social, oferecendo acomodações para aqueles que trabalham na coleta de residuos recicláveis
Com a campanha publicitária apoiada no slogan Sergipe é o país do forró a cidade foi invadido por milhares de turistas que se encantaram com a nossa gastronomia regional, nosso povo acolhedor, nossas quadrilhas juninas e outras manifestações construídas no decorrer dos tempos, em um processo social que passa pela aquisição de conhecimento, valorização, pertencimento e perpetuação, através das práticas passadas de geração a geração. A cultura pode ser compreendida como próprio de jeito de viver, um modo de vida particular, contudo, é um terreno movediço sujeito a mudanças, e ressignificações influenciadas pelo meio social e trocas culturais.
Assistimos nesse ano de 2025 uma imponente mudança social nesse contexto: a ascensão do arrocha e outros gêneros musicais que têm como base letras focadas no romantismo e no sofrimento, com uma batida característica repetida à exaustão, que alimenta as multidões, levando-as a um êxtase coletivo.
Como já dizia o poeta, o novo sempre vem, e o novo conquistou as camadas mais jovens da população, criando uma comunidade fiel, e em contrapartida afastou os tradicionais amantes do velho e bom pé de serra, ocupando espaços menos privilegiados com estrutura inferior.
Cabem as autoridades responsáveis pelas políticas culturais repensarem suas escolhas, quando está em jogo tradições culturais representativas da nossa cultura popular e por esse motivo consagrada por todos.
Pagar caches altos a cantores tipo Leonardo, Zezé de Camargo, Bruno e Marrone e outros do mesmo nível que não nos representa parece um desatino, já que esses valores poderiam ser aplicados em contratos com artistas locais, bem como em ações de apoio permanente aos diversos grupos culturais do nosso estado, e na criação de instituições voltadas para o conhecimento, valorização e perpetuação dos nossos costumes e ainda articular a implantação da “economia da cultura” incentivando e contribuindo para a autossuficiência desses mesmos grupos. Certamente a Santíssima Trindade do forró, sanfona, triangulo e zabumba, continuarão a balançar os corações daqueles que elegeram O INIGULÁVEM E INESQUECIVEL LUIZ GONZAGA e seus seguidores os verdadeiros embaixadores culturais do povo nordestino, tão bem representado em suas inesquecíveis canções.
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