Sergipe voltou a realizar transplante de rim com doador falecido na noite desta terça-feira, 6, na Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia (FBHC), em Aracaju. A cirurgia representa a retomada desse procedimento na rede pública estadual.
O receptor é Josenaldo Oliveira, 25 anos, morador de Nossa Senhora da Glória. Diagnosticado com doença renal crônica há cerca de dez meses, ele vinha realizando hemodiálise no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse). “Saber que essa espera chegou ao fim no meu próprio estado é um alívio enorme”, declarou o paciente.
Ampliação do acesso
Segundo o secretário estadual da Saúde, Jardel Mitermayer, a retomada dos transplantes renais é fruto de iniciativa do governador Fábio Mitidieri, com apoio do ex-gestor Cláudio Mitidieri e parceria com a FBHC. O investimento anual no contrato com o hospital ultrapassa R$ 241 milhões e cobre procedimentos de alta complexidade, incluindo transplantes de rim e fígado, além de cerca de 700 cirurgias mensais de média e alta complexidade.
Processo complexo
O diretor técnico da FBHC, Rilton Morais, explicou que o projeto começou em 2022, com credenciamento e adequação da infraestrutura. Em 2023, foram selecionados e avaliados pacientes para compor a lista de receptores. A cirurgia só ocorre após análise de compatibilidade, que abrange tipo sanguíneo, HLA e cross-match negativo.
Doação permitiu múltiplas captações
O rim transplantado foi doado por um paciente vítima de acidente motociclístico internado no Huse. Com a autorização da família, houve captação de coração (primeira de 2026), fígado e córneas, beneficiando pacientes de Sergipe, Pernambuco e Espírito Santo. Nos primeiros dias do ano, a Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE) registrou quatro captações de múltiplos órgãos.
Para o coordenador da Central de Transplantes, Benito Fernandez, a retomada coloca Sergipe novamente na rota nacional dos transplantes renais, permitindo que os pacientes realizem o procedimento perto da família e com acompanhamento contínuo.
Como doar órgãos
A doação depende de autorização familiar mesmo quando o desejo é manifestado em vida. O protocolo é iniciado com a identificação de pacientes em estado neurocrítico; após confirmação de morte encefálica, os órgãos são direcionados a receptores compatíveis pela Central Estadual de Transplantes, conforme normas do Sistema Nacional de Transplantes.
A chefe do serviço de transplante renal da FBHC, Simone Oliveira, reforçou que a conscientização é essencial. O ambulatório de transplante renal do hospital iniciou em outubro e, em apenas dois meses, realizou seu primeiro procedimento, em 6 de janeiro.
Com a retomada, Sergipe espera reduzir o deslocamento de pacientes para outros estados e ampliar o acesso a tratamentos de alta complexidade dentro do território estadual.
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