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Economia

Tarifa de 37,5% dos EUA pressiona indústria do arroz e gera prejuízos

A indústria brasileira de arroz enfrenta prejuízos devido a tensões comerciais e tarifas dos EUA.

05/08/2026 · 00h00 · Atualizado às 16h59
Tarifa de 37,5% dos EUA pressiona indústria do arroz e gera prejuízos

Tensões comerciais já afetam a cadeia do arroz, com embarques a Cuba interrompidos e estoques parados. No mercado interno, preços caem abaixo do custo e a Abiarroz prevê até US$25 milhões em perdas.

A indústria brasileira de arroz já contabiliza prejuízos em decorrência das tensões comerciais, mesmo antes de sentir os efeitos diretos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre as vendas para o mercado americano. Empresas do setor enfrentam interrupções nas exportações para Cuba, acumulam estoques parados e lidam com um mercado doméstico deprimido, onde os preços estão abaixo do custo de produção e as margens de lucro diminuem.

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A Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) estima que a tarifa de 37,5% imposta pelos Estados Unidos pode provocar perdas de até US$ 25 milhões por ano para a indústria brasileira. Os EUA representam 19% do valor exportado de arroz branco brasileiro, um produto de maior valor agregado, e o mercado americano é considerado estratégico para o escoamento da produção beneficiada. A associação defende uma solução negociada entre os dois países para evitar prejuízos ao setor.

“Vou ter que abrir todas essas embalagens, reprocessar o arroz e enquadrá-lo no padrão brasileiro. Não vou perder tudo, mas vou perder embalagem, mão de obra e muito dinheiro parado”, relata Adalberto Pegorer, sócio-diretor da São João Alimentos.

Após o cancelamento de pedidos por parte de compradores espanhóis devido às dificuldades financeiras provocadas pelas novas restrições dos EUA a Cuba, Pegorer afirma que a empresa ficou com cerca de 130 a 140 contêineres de arroz prontos para embarque. O produto, desenvolvido especificamente para o mercado cubano, não pode ser facilmente redirecionado para o varejo brasileiro.

Ele expressa preocupação com o tempo que o arroz ficará estocado, já que, em períodos de calor e umidade, o produto pode sofrer problemas de conservação, aumentando assim os prejuízos. Embora as exportações para os Estados Unidos representem uma pequena parte das vendas da empresa, a tarifa de 37,5% praticamente inviabiliza novos negócios. Pegorer observa que o mercado americano é visto como uma oportunidade para os brasileiros que residem lá e desejam consumir o arroz nacional.

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“Essa guerra comercial ninguém sabe se vai, se não vai, se vai ter taxa, se não vai. Isso atrapalha todo mundo”, afirma Antônio Pegorer, diretor da Guacira Alimentos.

Toninho, como é conhecido, destaca a incerteza trazida pelo tarifaço, mesmo que a empresa não tenha grande exposição direta ao mercado americano. A baixa rentabilidade do arroz no mercado interno segue como um problema urgente. Após atingir R$ 127 por saca no final de 2024, o preço caiu para cerca de R$ 50 e agora mostra sinais de recuperação, atingindo aproximadamente R$ 70, valor ainda insuficiente para garantir a remuneração dos produtores.

Para lidar com a compressão das margens, a Guacira Alimentos tem ampliado seu portfólio para reduzir a dependência do arroz e do feijão, comercializando também açúcar, azeite e goiabada. Itens de maior valor agregado, segundo Toninho, são menos impactados pela pressão de preços do varejo e ajudam a preservar a rentabilidade. A concentração do varejo, com o aumento do poder de negociação das grandes redes supermercadistas, também representa um desafio, dificultando reajustes de preços e aumentando os custos logísticos.

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Ambos os empresários acreditam que a próxima safra poderá ser menor, reflexo do crédito mais caro e dos custos de produção elevados. Uma redução na oferta pode ajudar a recuperar parte dos preços pagos aos produtores, atualmente considerados insustentáveis para a maioria da cadeia produtiva.

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Tensões comerciais já afetam a cadeia do arroz, com embarques a Cuba interrompidos e estoques parados. No mercado interno, preços caem abaixo do custo e a Abiarroz prevê até US$25 milhões em perdas.

A indústria brasileira de arroz já contabiliza prejuízos em decorrência das tensões comerciais, mesmo antes de sentir os efeitos diretos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre as vendas para o mercado americano. Empresas do setor enfrentam interrupções nas exportações para Cuba, acumulam estoques parados e lidam com um mercado doméstico deprimido, onde os preços estão abaixo do custo de produção e as margens de lucro diminuem.

A Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) estima que a tarifa de 37,5% imposta pelos Estados Unidos pode provocar perdas de até US$ 25 milhões por ano para a indústria brasileira. Os EUA representam 19% do valor exportado de arroz branco brasileiro, um produto de maior valor agregado, e o mercado americano é considerado estratégico para o escoamento da produção beneficiada. A associação defende uma solução negociada entre os dois países para evitar prejuízos ao setor.

“Vou ter que abrir todas essas embalagens, reprocessar o arroz e enquadrá-lo no padrão brasileiro. Não vou perder tudo, mas vou perder embalagem, mão de obra e muito dinheiro parado”, relata Adalberto Pegorer, sócio-diretor da São João Alimentos.

Após o cancelamento de pedidos por parte de compradores espanhóis devido às dificuldades financeiras provocadas pelas novas restrições dos EUA a Cuba, Pegorer afirma que a empresa ficou com cerca de 130 a 140 contêineres de arroz prontos para embarque. O produto, desenvolvido especificamente para o mercado cubano, não pode ser facilmente redirecionado para o varejo brasileiro.

Ele expressa preocupação com o tempo que o arroz ficará estocado, já que, em períodos de calor e umidade, o produto pode sofrer problemas de conservação, aumentando assim os prejuízos. Embora as exportações para os Estados Unidos representem uma pequena parte das vendas da empresa, a tarifa de 37,5% praticamente inviabiliza novos negócios. Pegorer observa que o mercado americano é visto como uma oportunidade para os brasileiros que residem lá e desejam consumir o arroz nacional.

“Essa guerra comercial ninguém sabe se vai, se não vai, se vai ter taxa, se não vai. Isso atrapalha todo mundo”, afirma Antônio Pegorer, diretor da Guacira Alimentos.

Toninho, como é conhecido, destaca a incerteza trazida pelo tarifaço, mesmo que a empresa não tenha grande exposição direta ao mercado americano. A baixa rentabilidade do arroz no mercado interno segue como um problema urgente. Após atingir R$ 127 por saca no final de 2024, o preço caiu para cerca de R$ 50 e agora mostra sinais de recuperação, atingindo aproximadamente R$ 70, valor ainda insuficiente para garantir a remuneração dos produtores.

Para lidar com a compressão das margens, a Guacira Alimentos tem ampliado seu portfólio para reduzir a dependência do arroz e do feijão, comercializando também açúcar, azeite e goiabada. Itens de maior valor agregado, segundo Toninho, são menos impactados pela pressão de preços do varejo e ajudam a preservar a rentabilidade. A concentração do varejo, com o aumento do poder de negociação das grandes redes supermercadistas, também representa um desafio, dificultando reajustes de preços e aumentando os custos logísticos.

Ambos os empresários acreditam que a próxima safra poderá ser menor, reflexo do crédito mais caro e dos custos de produção elevados. Uma redução na oferta pode ajudar a recuperar parte dos preços pagos aos produtores, atualmente considerados insustentáveis para a maioria da cadeia produtiva.

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