Relator citou “caronas em jatinhos” pagos pelo crime organizado e criticou a normalização de privilégios no Judiciário. Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, estava presente e rebateu as falas.
O clima esquentou na CPI do Crime Organizado no Senado nesta quinta-feira (11). O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), fez uma declaração contundente que repercutiu imediatamente em Brasília: segundo ele, “se avizinha o momento em que o Brasil terá um ministro dos tribunais superiores preso”.
A fala ocorreu durante uma audiência que contava com a presença do ministro da Justiça e Segurança Pública e ex-presidente do STF, Ricardo Lewandowski.
“Jatinho pago pelo crime”
Vieira subiu o tom ao comentar as recentes investigações sobre um suposto esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a polêmica envolvendo a carona do ministro Dias Toffoli (STF) em um jatinho do empresário Luiz Osvaldo Pastore.
O senador sergipano criticou o que classificou como “naturalização de privilégios” e a proximidade perigosa entre magistrados e investigados.
“Nós temos ministros que acham normal caronas em jatinho, jatinho pago pelo crime organizado. Não é surpresa. O cara sabe que é crime organizado, entra no jatinho, vai para uma viagem paga pelo crime organizado, acessa evento de luxo pago pelo crime organizado, se hospeda, come, bebe, e retorna a Brasília para julgar na nossa Corte Superior”, disparou Vieira.
Para o senador, o Brasil já viu presidentes, governadores, senadores e deputados serem presos, mas a “imunidade” de ministros de cortes superiores parece estar com os dias contados.
A reação de Lewandowski
Confrontado com as declarações, o ministro Ricardo Lewandowski adotou um tom mais cauteloso, mas condenou desvios de conduta. Ele argumentou que o país não precisa de novas leis, mas sim da aplicação das normas vigentes.
“Senador, claro que eu condeno veementemente qualquer infração ética. Não precisa nem condenar, porque isso é crime à legislação penal. O que é preciso é fiscalizar e aplicar de forma redobrada”, respondeu o ministro da Justiça.
A sessão evidenciou a pressão crescente do Legislativo sobre o Poder Judiciário em meio a escândalos recentes que colocam em xeque a imparcialidade de membros das altas cortes.
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