A transição da gasolina comercializada no Brasil para a nova mistura obrigatória de 32% de etanol anidro (E32) representa um marco na matriz energética do país, conforme estabelecido pela Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024). O governo brasileiro projeta uma economia de R$ 450 milhões com a redução na importação de gasolina, mas muitos motoristas se questionam sobre as reais mudanças no uso diário do novo combustível.
Para entender as implicações dessa transição, conversamos com Eduardo Silva, diretor da Excel Fuelling Technologies. Ele explica que a gasolina que chega aos tanques dos brasileiros terá uma proporção ligeiramente maior de etanol anidro, passando de 30% para 32%. Essa alteração de dois pontos percentuais modifica sutilmente as propriedades físicas do combustível.
Silva destaca que o etanol, sendo um combustível oxigenado, possui maior octanagem e menor poder calorífico por litro em comparação à gasolina pura. Isso resulta em uma combustão mais eficiente e ajuda na redução das emissões de poluentes. Contudo, é importante mencionar que essa menor densidade energética do etanol pode acarretar uma alteração mínima na autonomia dos veículos. O especialista afirma que, para a maioria dos motoristas, essa diferença deve ser quase imperceptível.
“Para a grande maioria dos condutores, a mudança deve passar praticamente despercebida. Pode haver uma redução muito discreta na autonomia, mas dificilmente será perceptível no uso diário,” afirma Eduardo Silva.
Os motores modernos, segundo Silva, possuem sistemas de gerenciamento eletrônico que ajustam automaticamente parâmetros como ignição e injeção de combustível. Assim, os motoristas devem perceber mais as diferenças relacionadas à qualidade do combustível e à manutenção do veículo do que a alteração na mistura.
Outro aspecto que gera preocupação entre os proprietários de automóveis é a possibilidade de danos nos motores devido à acidez ou propriedades solventes do etanol. Contudo, o diretor da Excel Fuelling Technologies garante que a frota nacional moderna, incluindo veículos de marcas tradicionais e novas fabricantes, está preparada para essa mudança. Ele ressalta que os veículos homologados e com manutenção adequada não devem sofrer impactos significativos.
Silva observa que a maior parte da frota nacional está protegida, pois os automóveis vendidos oficialmente no Brasil são desenvolvidos considerando as especificações do combustível nacional. Porém, veículos mais antigos e modelos importados que não foram projetados para o combustível brasileiro podem enfrentar problemas. Ele recomenda atenção especial a esses casos, mas afirma que a nova mistura não deve ser a causa isolada de danos.
Em relação ao preço do combustível, Silva alerta que a expectativa de que a maior presença de biocombustível nacional leve a preços mais baixos deve ser analisada com cautela. O preço final é influenciado por dinâmicas tributárias e macroeconômicas complexas. Embora a ampliação da mistura reduza a dependência da gasolina pura e ajude a estabilizar o mercado, o custo ainda está atrelado a fatores como cotação internacional do petróleo, câmbio e carga tributária.
Por fim, ao abordar a capacidade de abastecimento da indústria, Eduardo Silva afirma que a cadeia nacional de produção de cana-de-açúcar e milho está madura o suficiente para suprir a demanda pelos novos 32%. Os investimentos realizados nos últimos anos garantem que a produção possa atender a essa nova necessidade.
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