O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pretende implementar um “selo de acerto” para as pesquisas eleitorais, que será concedido após o segundo turno das eleições. A proposta, apresentada pelo presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, ocorreu em reunião com representantes de empresas do setor. O selo será atribuído apenas a sondagens de boca de urna ou a aquelas realizadas nos sete dias que antecedem o pleito.
De acordo com Nunes Marques, a medida visa aumentar a precisão das pesquisas em relação aos resultados das eleições. A iniciativa também busca valorizar as entidades e empresas de pesquisa eleitoral, fortalecendo a confiança da sociedade no setor. O presidente do TSE se mostrou receptivo a sugestões para a formulação da proposta final.
Entretanto, a proposta enfrentou críticas. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) e a Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (ABRAPEL) publicaram uma nota conjunta expressando suas preocupações. As entidades afirmam que a ideia parte de uma premissa equivocada sobre a natureza das pesquisas eleitorais, ressaltando que exigir que uma pesquisa acerte o resultado é “confundir uma ciência com bola de cristal”.
Além disso, elas argumentam que as pesquisas medem a intenção de voto e não o voto efetivamente recebido, e que o cenário eleitoral pode mudar nos dias que antecedem a votação, influenciado por fatores como abstenção e voto útil. As associações também alertam que o selo poderia induzir alguns institutos a ajustarem suas pesquisas na véspera da eleição, comprometendo a independência metodológica do setor.
Por outro lado, o presidente da Atlas Intel, Andrei Roman, manifestou apoio à proposta e se colocou à disposição para contribuir nas discussões metodológicas. Recentemente, a Atlas Intel esteve envolvida em uma controvérsia com o TSE, quando Nunes Marques suspendeu a divulgação de uma pesquisa da empresa, alegando possíveis induções nas respostas dos eleitores.
Durante o debate, o diretor-presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, defendeu a ideia do selo, considerando-a uma forma de premiação e não uma punição. Segundo ele, a proposta deve ser vista como um incentivo para as pesquisas, destacando que é normal que uma pesquisa não corresponda exatamente ao resultado da urna.
Daniel Rittner, diretor de Jornalismo em Brasília, observou que Nunes Marques “criou um labirinto para si mesmo” ao suspender a pesquisa da Atlas Intel, surpreendendo observadores em relação à postura do TSE. Ele destacou que a expectativa era de uma abordagem menos intrusiva em comparação a gestões anteriores.
A âncora da CNN, Thais Herédia, manifestou preocupação com as funções institucionais do TSE, ressaltando que o tribunal tem papéis específicos, como organizar e fiscalizar as eleições. Para ela, a tentativa de atuar como árbitro das pesquisas eleitorais pode gerar uma “mistura institucional perigosa”.
O plenário do TSE ainda deve avaliar a suspensão da pesquisa da Atlas Intel e a proposta do selo de acerto. A expectativa é que Nunes Marques enfrente dificuldades no caso da Atlas Intel, mas tenha apoio suficiente para a aprovação do selo.
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