Com apenas 17 anos, Hannah Cairo derruba a conjectura de Mizohata‑Takeuchi
Com apenas 17 anos, a estudante Hannah Cairo causou um verdadeiro tremor no mundo da matemática ao refutar a conjectura de Mizohata‑Takeuchi, um enigma de análise harmónica que perdurava por cerca de quarenta anos.
Desde o ensino médio, Hannah sabia que isso era apenas o início de sua jornada — ela frequentava aulas avançadas na Universidade de Berkeley enquanto cursava o ensino médio. A conjectura lhe fora proposta como desafio opcional durante uma aula com o professor Ruixiang Zhang. Intrigada, Hannah se envolveu de tal forma com o problema que passou semanas obsessiva em busca de uma solução.
“Após meses […] compreendi por que era tão difícil. Percebi que, se usasse essa informação corretamente, poderia refutar a afirmação. Finalmente, após várias tentativas fracassadas, encontrei uma maneira de construir um contraexemplo”.

A descoberta exigiu o uso criativo de fractalidade e ferramentas sofisticadas de análise harmónica, além de uma formulação cuidadosa no domínio da frequência. Após apresentar o primeiro contraexemplo, Hannah percebeu uma forma ainda mais simples de refutá-la.
Apesar da dificuldade, chegou a convencer Zhang da validade de seu argumento, um feito notável diante da complexidade do tema.
Uma trajetória de paixão e persistência
Nascida em Nassau, Bahamas, Hannah participou do Berkeley Math Circle durante a pandemia, e depois se mudou para os Estados Unidos, integrando cursos na Universidade da Califórnia, Berkeley, sob orientação de Zhang. Desde cedo, escrevia a professores expondo os livros que lia e explicando seu interesse por tópicos matemáticos avançados, o que lhe garantiu acesso a aulas universitárias ainda sendo estudante do ensino médio.
Ela recorda que, quando tinha treze ou quatorze anos, escreveu um artigo sobre teoria dos números, embora sobre um problema que “ninguém se importava”. Seu interesse por álgebra abstrata só veio a se transformar, mais tarde, no campo da análise harmónica — dois polos bastante distintos na matemática .
Neste outono, Hannah iniciará seu doutorado na Universidade de Maryland, onde pretende aprofundar sua pesquisa em teoria de restrição de Fourier, sob a orientação de Zhang.
O impacto da descoberta
A conjectura de Mizohata‑Takeuchi, formulada na década de 1980, tratava da construção de formas geométricas a partir de certas ondas em análise harmónica restrita, com implicações importantes em áreas como compressão de áudio e vídeo digital e telecomunicações.
Embora muitos na comunidade acreditassem que a conjectura fosse verdadeira — com base em resultados derivados nela — a abordagem de Cairo provou que não havia universalidade no enunciado. Seu contraexemplo mudou a forma de pensar sobre aquele conjunto de problemas matemáticos.
Ela apresentou sua descoberta no XII Congresso Internacional de Análise Harmónica e Equações em Derivadas Parciais, realizado em El Escorial, na Espanha, onde conquistou reconhecimento internacional .
Reflexão da jovem prodígio
“Sempre quis ser matemática, mas não sabia bem o que significava até aprender álgebra abstrata, através de livros. É curioso, porque a álgebra abstrata está no lado oposto da matemática que faço agora. Na verdade, a princípio pensei em me dedicar à teoria dos números. Quando eu tinha treze ou quatorze anos escrevi um artigo sobre teoria dos números, mas era sobre um problema que ninguém se importava com” .
Hannah não apenas reafirmou sua vocação para a matemática, mas transformou um dos maiores desafios da área em uma oportunidade para mostrar que determin ação e criatividade não têm idade.
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