A Weg, multinacional brasileira com forte presença no setor elétrico e industrial, destacou a vantagem competitiva do Nordeste em relação às fontes renováveis, como a energia eólica e solar, mas fez um alerta sobre a falta de linhas de transmissão na região. Em entrevista, Décio da Silva, presidente do Conselho da companhia, mencionou um desbalanceamento entre a expansão das fontes de energia limpa e a infraestrutura necessária para transportá-la.
Segundo Décio, a matriz energética brasileira é uma das mais limpas do mundo, e o crescimento das energias solar e eólica no Nordeste oferece uma oportunidade valiosa. No entanto, ele enfatizou que a construção de parques de energia renovável não acompanhou a velocidade necessária das obras de transmissão. “A nossa matriz energética é super limpa, nós crescemos muito com a solar e a eólica, a região do Nordeste tem uma vantagem competitiva muito grande, mas houve um pouco de desbalanceamento”, afirmou o presidente.
“Foram feitos muitos parques e não veio na mesma velocidade as linhas de transmissão”, destacou Décio da Silva.
Como consequência, essa falta de infraestrutura levou a gargalos no sistema elétrico, resultando em cortes de geração, conhecidos como curtailment, em algumas áreas. Décio mencionou que, com a entrada de novas energias renováveis, houve a necessidade de estabilizar a rede elétrica, o que levou a Weg a investir em uma nova fábrica de geradores de ciclos em Jaraguá do Sul e Guaramirim, com um investimento total de R$ 3,6 bilhões.
A nova unidade tem como objetivo aumentar a produção de geradores, o que, segundo ele, será crucial para a estabilidade do sistema elétrico brasileiro. Durante a entrevista, Décio também destacou que o Brasil carece de infraestrutura de modo geral, citando problemas em rodovias, que são o principal modelo de transporte do país. “O Brasil carece de infraestrutura, principalmente rodoviária, fez menos estradas do que nós precisamos”, afirmou.
“O ciclo é bem relevante, há uma mudança muito grande no cenário tecnológico, tem oportunidades para as empresas nacionais e para o nosso país”, comentou.
Em março, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) lançou uma plataforma com índices de infraestrutura do Brasil, que avalia dados sobre os 26 estados e o Distrito Federal. O presidente do Confea, Vinicius Marchese, alertou que o país está atrasado em infraestrutura, o que pode gerar problemas em um futuro próximo. A avaliação considera seis segmentos, incluindo bem-estar social, mobilidade e saneamento básico.
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