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Aracaju, Quinta-feira, 4 de junho de 2026
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Gestantes e bebês Munduruku apresentam níveis de mercúrio muito acima do limite da OMS

Saúde

Gestantes e bebês Munduruku apresentam níveis de mercúrio muito acima do limite da OMS

Pesquisa coordenada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) revela que gestantes da Terra Indígena Munduruku, no Médio...

04/06/2026 · 16h33
Gestantes e bebês Munduruku apresentam níveis de mercúrio muito acima do limite da OMS

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Pesquisa coordenada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) revela que gestantes da Terra Indígena Munduruku, no Médio Tapajós (Pará), apresentam concentrações médias de mercúrio no cabelo de 9,1 µg/g, valor que supera em quatro vezes e meia o limite considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde (2 µg/g).

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Os números divulgados no dia 03/06/2026 foram apresentados pelo coordenador do estudo, Paulo Basta, durante a Rio Nature & Climate Week, no Rio de Janeiro. O levantamento faz parte do “Estudo Longitudinal de Gestantes e Recém-Nascidos Indígenas Expostos ao Mercúrio na Amazônia”.

Do total de 195 mulheres monitoradas, 97% têm concentrações acima do limite recomendado. No caso mais grave entre as gestantes, a amostra registrou 39,9 µg/g, equivalente a 20 vezes o valor tolerável. Entre as 134 que já deram à luz, os pesquisadores acompanham também os recém-nascidos: cerca de 90% nascem com mercúrio detectável. A média entre os bebês é de 5,8 µg/g, aproximadamente três vezes o limite; o maior registro infantil foi de 30,8 µg/g, 15 vezes superior ao nível seguro.

Acompanhamento e efeitos potenciais

O estudo monitora os bebês ao longo dos primeiros dois anos de vida, avaliando curvas de crescimento, peso e estatura em diferentes momentos, segundo Paulo Basta. A hipótese levantada pela equipe é de que a exposição pré-natal ao mercúrio possa causar atraso em marcos do desenvolvimento neuropsicomotor. Basta destacou que o mercúrio se transforma em neurotoxina que afeta preferencialmente o tecido do sistema nervoso central, com lesões consideradas irreversíveis.

Os pesquisadores relataram, ainda, 751 casos de indígenas com contaminação por mercúrio confirmada laboratorialmente, sendo 318 desses no Pará e 378 em Roraima — esses últimos ligados ao povo Yanomami.

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Reação da comunidade Munduruku

A liderança Alessandra Korap Munduruku relatou comoção na comunidade quando os primeiros resultados foram divulgados em 2022. A primeira fase do estudo, iniciada em 2019, acompanhou moradores de três aldeias na terra Sawré Muybu. Segundo Alessandra, a população vivia adoecendo sem diagnóstico e as famílias ficaram apreensivas sobre a continuidade das gestações e os riscos para a amamentação.

Origem da contaminação e contexto do garimpo

O uso de mercúrio no garimpo de ouro é apontado como a principal causa da contaminação de rios e de organismos aquáticos. Dados do MapBiomas indicam que cerca de 92% da área de garimpo, legal ou ilegal, no Brasil concentra-se na Amazônia, e estima-se que 85% desses garimpos se dediquem à extração de ouro.

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Relatórios e análises citados no estudo e em avaliações setoriais apontam impactos socioambientais além da contaminação por mercúrio, como desmatamento, violência, conflitos com povos tradicionais e trabalho análogo ao escravo. Pesquisa do Greenpeace citada pelos autores mostra uso de Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) para venda de ouro extraído ilegalmente, enquanto análises da Climate Policy Initiative destacam que problemas no licenciamento ambiental e falta de transparência enfraquecem o controle da atividade.

A promotora do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), Eliane Moreira, afirmou que a contaminação decorre, em grande parte, de um licenciamento frágil e da insuficiente estrutura institucional para fiscalização em municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano, criando um ambiente propício para a tragédia socioambiental observada.

As informações do estudo e os relatos das lideranças indígenas reforçam a necessidade de ações de saúde pública e medidas de controle sobre as atividades de garimpo na região, segundo os próprios pesquisadores e autoridades mencionadas durante a apresentação dos resultados.

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Pesquisa coordenada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) revela que gestantes da Terra Indígena Munduruku, no Médio Tapajós (Pará), apresentam concentrações médias de mercúrio no cabelo de 9,1 µg/g, valor que supera em quatro vezes e meia o limite considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde (2 µg/g).

Os números divulgados no dia 03/06/2026 foram apresentados pelo coordenador do estudo, Paulo Basta, durante a Rio Nature & Climate Week, no Rio de Janeiro. O levantamento faz parte do “Estudo Longitudinal de Gestantes e Recém-Nascidos Indígenas Expostos ao Mercúrio na Amazônia”.

Do total de 195 mulheres monitoradas, 97% têm concentrações acima do limite recomendado. No caso mais grave entre as gestantes, a amostra registrou 39,9 µg/g, equivalente a 20 vezes o valor tolerável. Entre as 134 que já deram à luz, os pesquisadores acompanham também os recém-nascidos: cerca de 90% nascem com mercúrio detectável. A média entre os bebês é de 5,8 µg/g, aproximadamente três vezes o limite; o maior registro infantil foi de 30,8 µg/g, 15 vezes superior ao nível seguro.

Acompanhamento e efeitos potenciais

O estudo monitora os bebês ao longo dos primeiros dois anos de vida, avaliando curvas de crescimento, peso e estatura em diferentes momentos, segundo Paulo Basta. A hipótese levantada pela equipe é de que a exposição pré-natal ao mercúrio possa causar atraso em marcos do desenvolvimento neuropsicomotor. Basta destacou que o mercúrio se transforma em neurotoxina que afeta preferencialmente o tecido do sistema nervoso central, com lesões consideradas irreversíveis.

Os pesquisadores relataram, ainda, 751 casos de indígenas com contaminação por mercúrio confirmada laboratorialmente, sendo 318 desses no Pará e 378 em Roraima — esses últimos ligados ao povo Yanomami.

Reação da comunidade Munduruku

A liderança Alessandra Korap Munduruku relatou comoção na comunidade quando os primeiros resultados foram divulgados em 2022. A primeira fase do estudo, iniciada em 2019, acompanhou moradores de três aldeias na terra Sawré Muybu. Segundo Alessandra, a população vivia adoecendo sem diagnóstico e as famílias ficaram apreensivas sobre a continuidade das gestações e os riscos para a amamentação.

Origem da contaminação e contexto do garimpo

O uso de mercúrio no garimpo de ouro é apontado como a principal causa da contaminação de rios e de organismos aquáticos. Dados do MapBiomas indicam que cerca de 92% da área de garimpo, legal ou ilegal, no Brasil concentra-se na Amazônia, e estima-se que 85% desses garimpos se dediquem à extração de ouro.

0g0a9609

Relatórios e análises citados no estudo e em avaliações setoriais apontam impactos socioambientais além da contaminação por mercúrio, como desmatamento, violência, conflitos com povos tradicionais e trabalho análogo ao escravo. Pesquisa do Greenpeace citada pelos autores mostra uso de Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) para venda de ouro extraído ilegalmente, enquanto análises da Climate Policy Initiative destacam que problemas no licenciamento ambiental e falta de transparência enfraquecem o controle da atividade.

A promotora do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), Eliane Moreira, afirmou que a contaminação decorre, em grande parte, de um licenciamento frágil e da insuficiente estrutura institucional para fiscalização em municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano, criando um ambiente propício para a tragédia socioambiental observada.

As informações do estudo e os relatos das lideranças indígenas reforçam a necessidade de ações de saúde pública e medidas de controle sobre as atividades de garimpo na região, segundo os próprios pesquisadores e autoridades mencionadas durante a apresentação dos resultados.

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