A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) retirou da pauta, nesta quarta-feira (13), o recurso da Química Amparo — fabricante da marca Ypê — que questiona a suspensão da fabricação, venda e uso de diversos produtos. O processo será apreciado pela diretoria da agência na próxima sexta-feira (15).
O anúncio foi feito no início da 8ª Reunião Ordinária pelo diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle. Segundo Safatle, a agência e a empresa têm mantido encontros técnicos destinados à mitigação de riscos sanitários. A expectativa é que a Química Amparo apresente, até quinta-feira (14), medidas corretivas para os problemas identificados na unidade fabril.
Em inspeção realizada em abril, equipes da Anvisa, em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e a Vigilância Municipal de Amparo, apontaram 76 irregularidades na fábrica. Entre as falhas encontradas, foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 10 lotes, o que motivou a decisão inicial de suspensão.
O presidente da Anvisa manteve o alerta para que consumidores não utilizem produtos cujos lotes terminem em 1, em razão da possibilidade de contaminação. “Reiteramos a recomendação de não utilização dos produtos listados na Resolução 1.834/2026 e de buscar o serviço de atendimento da empresa”, declarou a agência.
A Ypê informou em nota que coopera com a Anvisa na busca de uma solução definitiva diante da suspensão da venda, comercialização e uso de seus lava-roupas líquidos, lava-louças líquidos e desinfetantes com lotes de fabricação final 1, conforme disposto na RE 1.834/2026. Executivos da empresa se reuniram com diretores da agência e apresentaram uma atualização do plano de ação e do processo produtivo, afirmando observância às recomendações da Anvisa.
A empresa afirmou ainda que vem submetendo laudos técnicos de microbiologia, verificações processuais e análises de risco para o consumidor, e pediu a manutenção da suspensão enquanto as medidas corretivas não forem concluídas.
Em comunicado divulgado na véspera, a Anvisa acrescentou que a fábrica de Amparo intensificou trabalhos para atender a 239 ações corretivas apontadas pela própria Ypê, levando em conta inspeções realizadas em 2024 e 2025. Participaram da reunião o diretor-presidente Leandro Safatle; o diretor Daniel Pereira, responsável pela supervisão da fiscalização; o presidente da Ypê, Waldir Beira Júnior; e o COO da empresa, Jorge Eduardo Beira.
Contexto
No dia 7 de maio, a Anvisa suspendeu a fabricação, comercialização e distribuição de lotes de produtos da marca Ypê com numeração final 1 — lista que inclui detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes — após constatar descumprimentos em etapas críticas do processo produtivo, com falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.
A contaminação por Pseudomonas aeruginosa, bactéria resistente a antibióticos capaz de provocar infecções graves em pessoas imunocomprometidas, foi apontada como um dos principais problemas. A empresa recorreu da decisão e, por efeito do recurso, a fabricação e comercialização ficaram liberadas, embora a Ypê ainda não tenha retomado a produção.
Produtos afetados com lotes que terminam em 1 incluem, entre outros: Lava Louças Ypê Clear Care; Lava Louças com enzimas ativas Ipê; Lava Louças Ypê Toque Suave; Lava Louças concentrado Ypê Green; Lava Roupas líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor; Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Antibac; Lava Roupas Líquido Ypê Express; Lava Roupas Tixan Power ACT; Desinfetante Bak Ypê; Desinfetante de uso geral Atol; Desinfetante Perfumado Atol; Desinfetante Pinho Ypê, entre outros listados na resolução.
A análise do recurso será retomada pela diretoria da Anvisa na sexta-feira (15), quando a agência deverá decidir sobre os próximos passos administrativos e sanitários relacionados à produção e circulação dos lotes questionados.
Com informações de Agência Brasil
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