Washington firmou memorando com Teerã encerrando sanções e liberando US$ 300 bi. Em troca, o Irã promete abandonar armas nucleares, mas especialistas alertam para riscos do pacto.
O memorando de entendimento firmado entre os Estados Unidos (EUA) e o Irã pode ser considerado uma derrota americana e uma vitória iraniana, segundo especialistas em geopolítica.
O acordo prevê o fim das sanções contra o Irã, a liberação de ativos do país persa e US$ 300 bilhões para a reconstrução do país. Em contrapartida, o Irã se compromete a não desenvolver armas nucleares.
O documento determina ainda a interrupção dos ataques militares, incluindo no Líbano, e a reabertura do Estreito de Ormuz.
“E assim, se o Irã conseguiu toda essa capacidade de mísseis e drones sancionado como é, imagina agora com acesso a mais recursos e inserção econômica. Os Estados Unidos não conseguiram absolutamente nada. O acordo é basicamente um retorno ao ‘JCPOA’ [Plano de Ação Conjunto Global] do Obama, só que com mais inserção econômica iraniana”, afirma Ali Ramos, cientista político e especialista em geopolítica.
Por outro lado, João Alfredo Niegrei, professor de geopolítica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, avalia que os Estados Unidos conseguiram alguns avanços, mas menos do que prometiam.
“Reabriu o Hormuz e reduziu com isso o risco de choque energético global. Além disso, interrompeu uma guerra que poderia se tornar politicamente custosa e militarmente imprevisível. Também trouxe o Irã de volta a uma negociação nuclear supervisionada, o que é relevante. Mas isso é menos do que o Trump prometia publicamente, quando falava em impedir definitivamente o programa nuclear iraniano”, destaca Niegrei.
Já o Irã saiu do conflito sem precisar abrir mão do programa nuclear, mantendo tudo como estava e levando o tema para futuras negociações, segundo João Alfredo.
“O ponto central é que o Irã reafirma que não buscará armas nucleares, mas essa já era a sua posição oficial. O que o Irã não faz, pelo menos no memorando, é aceitar a capitulação nuclear imediata. E é exatamente por isso que aliados republicanos e Trump criticaram justamente esse aspecto”, ressalta o professor.
As dúvidas recaem sobre a atitude de Israel, que questiona o acordo. O lobby de organizações israelenses nos Estados Unidos representa um risco, acredita Ali Ramos.
“Esse acordo aqui basicamente galvaniza uma acachapante derrota para Israel sob a tutela de Netanyahu e vai servir também para desconstruir a capacidade que Israel teve de ser visto como a maior potência militar pelos seus adversários”, afirma Ramos.
O memorando foi assinado nessa quinta-feira, de forma eletrônica, por Estados Unidos e Irã. Agora, um acordo de paz definitivo depende de negociações que devem se estender por sessenta dias.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

