Diretor da associação diz que projetos mineiros levam cerca de 10 anos da pesquisa à produção. Empresas precisam acelerar exploração e investimentos para conquistar mercado global.
O Brasil tem uma janela curta para se posicionar como um ator relevante na cadeia internacional de minerais críticos. Essa avaliação é do diretor-presidente da Associação de Minerais Críticos, Frederico Bedran, que destacou a importância de as empresas do setor entrarem em operação o quanto antes. Isso se deve ao longo tempo necessário para que projetos de mineração cheguem à fase de extração efetiva dos materiais.
Bedran explicou que o processo entre o início da pesquisa e a operação efetiva pode levar cerca de 10 anos. Por isso, ele enfatizou que a ação deve ser imediata. ‘Até 2030, 2032, seria um bom cenário para que a gente entrasse em operação nesses projetos’, afirmou.
A AMC, que representa 33 empresas mineradoras e fornecedoras da cadeia de mineração, aponta que 80% de suas associadas possuem capital estrangeiro. O presidente da entidade acredita que nos próximos quatro anos, diversos desses projetos poderão entrar em operação.
Os minerais críticos, como lítio, cobalto, níquel, nióbio e terras-raras, são essenciais para setores estratégicos, incluindo tecnologia e defesa. A oferta desses recursos está sujeita a riscos de escassez ou dependência de poucos fornecedores. Dados da Associação Internacional de Energia indicam que pelo menos 25% das reservas mundiais de minerais críticos estão localizadas no Brasil. O potencial geológico do país tem atraído o interesse de países como os Estados Unidos e a União Europeia, que buscam alternativas para reduzir a dependência de materiais fornecidos pela China.
Apesar da abundância de matéria-prima, Bedran destacou que o Brasil ainda enfrenta desafios para dominar as etapas de transformação dos minerais. Atualmente, o papel do país se limita à extração e exportação, e a ideia é que se avance para o refino e processamento desses materiais em território nacional.
‘Para tornar o Brasil protagonista da cadeia industrial como um todo, ainda temos grandes desafios. Muitas empresas estão interessadas em desenvolver esse potencial aqui no Brasil’, disse Bedran.
O desenvolvimento das cadeias de minerais críticos é uma questão que une setor privado, governo e Congresso. O governo Lula tem tratado o tema como uma questão de soberania nacional, defendendo que os materiais devem ser não apenas extraídos, mas também refinados e processados no Brasil. Em maio, a Câmara aprovou um projeto que institui a Política Nacional dos Minerais Críticos, criando um fundo de R$ 5 bilhões para o setor e oferecendo incentivos fiscais para empresas que realizarem mais etapas da cadeia no país.
Bedran avaliou que o projeto é positivo, pois cada vez que as empresas agregam mais valor, elas conseguem mais incentivos fiscais. ‘Isso é fundamental porque, no cenário atual, não somos competitivos para o refino no Brasil. Precisamos desses incentivos’, afirmou.
No que diz respeito às terras-raras, Bedran observou que a janela de mercado é ainda mais desafiadora devido à corrida internacional por esses materiais. Ele ressaltou que o Brasil deve desenvolver a mineração desses recursos antes de avançar para outras etapas da cadeia. ‘A mineração forte é fundamental para o desenvolvimento das demais cadeias’, concluiu.

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