Ministros do Interior da UE debateram a entrada massiva em Ceuta: 72.000 cruzaram e 70.000 voltaram ao Marrocos. Cerca de 2.000 ainda ficam na cidade; autoridades buscam solução.
Os ministros do Interior dos 27 países da União Europeia realizaram uma reunião informal nesta terça-feira (04/08/2026) para debater a crise migratória em Ceuta, uma cidade autônoma da Espanha. O ministro espanhol, Fernando Grande-Marlaska, confirmou que 72.000 pessoas cruzaram a fronteira da cidade na quinta-feira (31/07/2026), vindo do Marrocos. Deste total, 70.000 já retornaram ao país africano.
Atualmente, cerca de 2.000 migrantes permanecem em Ceuta, e o governo espanhol, junto às autoridades locais, trabalha para solucionar a situação dessas pessoas. Marlaska enfatizou que “aqueles que não tiverem direito, evidentemente, serão expulsos, com cumprimento estrito da lei espanhola, da lei internacional e da proteção dos direitos e das liberdades fundamentais”.
Antes da crise, órgãos como o Serviço de Inteligência Espanhol (CNI), o Ministério de Inclusão e Migrações e a Área de Menores de Ceuta haviam sinalizado a possibilidade de uma entrada em massa de migrantes, conforme apuração de um veículo de comunicação espanhol.
“Se houvesse alguma possibilidade de que algo assim pudesse acontecer — não digo o que definitivamente aconteceu, mas algo parecido, mesmo com o que ocorreu em 2021 — constaria um relatório, um aviso ou uma comunicação às mais altas instâncias”, afirmou o ministro.
Durante a reunião, os ministros da UE expressaram solidariedade à Espanha e defenderam ações conjuntas, como o combate às redes de tráfico de migrantes, o reforço das fronteiras externas da União Europeia e a melhoria dos sistemas de alerta precoce. Jim O’Callaghan, ministro irlandês de Justiça, Interior e Migração, destacou a responsabilidade compartilhada na gestão das fronteiras externas da UE.
“Felicitamos a Espanha por sua rápida resposta à situação em Ceuta e expressamos nossas mais sentidas condolências pela trágica perda de vidas”, afirmou O’Callaghan.
O ministro espanhol também ressaltou que a crise não afetou a livre circulação no espaço Schengen, garantindo que Ceuta mantém um controle documental efetivo sobre todos que saem da cidade em direção ao continente europeu. Ele criticou a Itália, que implementou controles internos sobre viajantes da Espanha, pedindo que essas medidas sejam suspensas, uma vez que não há risco de movimentos secundários de migrantes.
Por fim, Marlaska afirmou que as entradas em Ceuta vindas do Marrocos cessaram completamente, informando que há efetivos dos dois lados da fronteira para garantir o bloqueio. Ele ainda rejeitou qualquer avaliação da relação com o Marrocos baseada em demonstrações de força, afirmando que a abordagem deve ser pautada por direitos humanos e cumprimento da lei.
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