Políticos da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticaram a administração petista pela decisão do governo dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. A medida, anunciada nesta terça-feira (4 de agosto de 2026), foi interpretada como uma retaliação à demora do governo brasileiro em aprovar o embaixador indicado por Donald Trump (Partido Republicano) para Brasília, Daniel Perez.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a decisão de Trump é resultado da “incompetência” e do “rancor” do atual governo. Em sua conta no X, ele declarou que no próximo ano o Brasil terá um novo presidente que “defenderá os interesses da nação brasileira e voltará a ter relações respeitosas com todos os países”.
Por sua vez, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, afirmou que a decisão americana é sem precedentes e atribuiu a situação ao ego do presidente Lula em um conflito diplomático.
“Trump tira visto de embaixadora brasileira, tudo por conta do ego de Lula que deseja esta briga. Mas lembro: quem paga a conta é você. Para que isso?”
Eduardo Bolsonaro está nos EUA desde o início de 2025, acompanhado do jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro. Figueiredo, em seu perfil oficial no X, relatou ter participado de uma ligação do Departamento de Estado dos EUA com jornalistas. Segundo ele, um oficial sênior confirmou o cancelamento do visto de Maria Luiza Viotti e declarou que novas ações estão sendo consideradas pelo governo americano.
“Perguntei diretamente ao oficial se novas ações de visto e novos cancelamentos estavam sendo considerados. A resposta foi curta e devastadora: outras ações ‘não estão descartadas’”, destacou Figueiredo.
Por outro lado, a base de apoio do governo criticou a decisão de Trump. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que o Brasil não aceitará “interferência nem chantagem” dos EUA, ressaltando que o governo de Lula é “altivo e destemido”.
A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) também se manifestou, afirmando que o ato dos EUA agrava a tensão diplomática entre os dois países. Ela destacou que a revogação do visto é um sinal de que a Casa Branca pode intensificar uma ofensiva para desestabilizar a eleição no Brasil.
“A decisão é inédita na relação entre os dois países e foi considerada, em Brasília, como um sinal de que a Casa Branca irá intensificar a ofensiva para desestabilizar a eleição no país. […] A estratégia do governo, porém, era de esperar até a realização das eleições, diante da suspeita de que Perez poderia influenciar no processo eleitoral nacional”, afirmou Rosário.




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