Na Serra Fluminense, a Maturano usa Chardonnay e o método tradicional de fermentação em garrafa, aproveitando o período estival. A amplitude térmica e noites amenas aumentam concentração de açúcares, acidez e aromas.
A Serra Fluminense, reconhecida por suas condições climáticas favoráveis, inicia um novo ciclo na produção de espumantes. A vinícola Maturano, localizada em Teresópolis (RJ), aposta no verão para a elaboração de um espumante de Chardonnay, utilizando o método tradicional de fermentação em garrafa.
A região tem se destacado entre os vitivinicultores brasileiros devido à amplitude térmica e às temperaturas mais amenas à noite, que favorecem o amadurecimento das uvas. Essas condições podem resultar em maior concentração de açúcares, acidez e compostos aromáticos, fatores essenciais para a qualidade dos vinhos e espumantes.
Enquanto muitos produtores do país têm adotado a técnica da dupla poda para antecipar a colheita para o inverno, a Maturano decidiu manter o ciclo tradicional, colhendo as uvas durante o verão. A escolha da casta Chardonnay, uma das mais renomadas na produção de espumantes mundialmente, é um dos pilares dessa nova estratégia.
A vinícola plantou 11 hectares desta variedade e planeja utilizar uma parte da produção para criar um Blanc de Blancs, espumante elaborado exclusivamente com uvas brancas. O objetivo é trabalhar com diferentes períodos de autólise, um processo que influencia o perfil final do produto.
“A Jacquesson é uma vinícola de 230 anos e um diferencial que a gente encontrou ali foi que os vinhos são fermentados em barricas de carvalho. Ali tem complexidade, passa uma cor pro vinho. Fica fantástico. Então a gente trouxe dois tanques de 7.500 litros pro Brasil pra fazer uma linha super premium de um espumante Maturano”, afirma o sócio-proprietário da vinícola, Marcelo Maturano.
Além da Chardonnay, a Maturano planeja incorporar a variedade Pinot Noir ao projeto nos próximos anos. Conhecida por sua sensibilidade e necessidade de manejo cuidadoso, a Pinot Noir será cultivada também no verão, visando criar um vinho base que complemente a Chardonnay.
A vinícola está considerando o uso de um clone de Pinot Noir que produza cachos mais descompactados, o que pode reduzir a umidade entre as bagas e, consequentemente, a incidência de fungos, facilitando o manejo e diminuindo os riscos de doenças no vinhedo.
Com o desenvolvimento e teste dos novos produtos, a Maturano pretende alcançar uma produção anual de cerca de 100 mil garrafas de espumante, contribuindo para a crescente notoriedade dos vinhos brasileiros no mercado.
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