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Saúde

Famílias negam doação de órgãos em 45% dos casos; índices variam

Taxa média de recusa familiar à doação de órgãos é de 45% no Brasil; falhas na comunicação e ações institucionais foram apontadas como causas.

08/09/2026 · 00h00 · Atualizado às 09h11
Famílias negam doação de órgãos em 45% dos casos; índices variam

A perda de um ente querido força a família a decidir sobre doação após morte encefálica. A recusa familiar média no Brasil é de 45%, com grande variação entre estados e hospitais.

O momento da perda de um ente querido traz à família a difícil decisão sobre autorizar ou não a doação de órgãos após a constatação de morte encefálica. No Brasil, a taxa média de recusa familiar para a doação de órgãos gira em torno de 45%, índice que varia entre estados e até entre hospitais de uma mesma cidade, o que indica que a recusa não depende apenas de fatores demográficos, mas também de questões institucionais.

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Cristiano Franke, presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), afirmou que muitos pacientes deixam registrada a vontade de ser doadores e que várias famílias gostariam de atender a esse desejo. Ele destacou que, em muitos casos, a falha no acolhimento e na comunicação dentro das unidades de saúde — públicas e privadas — se configura como um dos principais obstáculos para a efetivação das doações.

“Muitas vezes as famílias não recebem todas as informações adequadamente, no momento e com um protocolo adequados para tomarem a melhor decisão. E muitas vezes também, as equipes médicas não estão preparadas para lidar com conversas difíceis, utilizando termos excessivamente técnicos e inacessíveis, ou realizando abordagens consideradas frias e comerciais em locais inadequados.”

Para enfrentar essas falhas, a AMIB, em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 2.534 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos. O total superou em 25% a meta inicial do projeto, que previa a capacitação de 2 mil participantes.

O objetivo dos cursos é ampliar o número de profissionais preparados para conduzir o processo de doação, com foco na melhoria da comunicação para reduzir a resistência das famílias em autorizar a retirada de órgãos de parentes com diagnóstico de morte encefálica. A formação também busca qualificar as etapas que precedem uma doação: identificação de potenciais doadores, determinação da morte encefálica e manutenção clínica do potencial doador, tornando o processo mais seguro.

“Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família.”

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Entre os participantes capacitados até agosto estão 933 médicos, dos quais 473 receberam treinamento específico para a determinação da morte encefálica. Os demais participantes — médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, administradores, farmacêuticos, odontólogos, biólogos, além de um nutricionista e um pedagogo — tiveram instruções sobre Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC).

Até agosto foram realizados 73 cursos, distribuídos em 23 módulos, com atividades em 25 estados brasileiros. Ainda estão previstos mais oito treinamentos até o encerramento do projeto; neste mês, eles ocorrerão em Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC).

Entre as dificuldades que levam famílias a recusar estão a compreensão ou aceitação do diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alteração da integridade do corpo, desconfiança em relação ao processo e desconhecimento sobre a vontade manifestada em vida pelo familiar. Há também a percepção, por parte de alguns parentes, de que os profissionais estariam mais interessados nos órgãos do que no paciente ou em seus familiares.

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“As famílias têm receio de deformação do corpo e nós explicamos adequadamente como é feito o procedimento e a reconstituição do corpo, que não deixarão deformidades visíveis nos ritos funerais como o velório. Elas trazem isso com muita clareza e nós precisamos explicar isso com tempo e clareza.”

Dados do Registro Brasileiro de Transplantes apontam que, em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, equivalente a 45% das entrevistas realizadas. No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, ante 19,2 em 2024.

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A perda de um ente querido força a família a decidir sobre doação após morte encefálica. A recusa familiar média no Brasil é de 45%, com grande variação entre estados e hospitais.

O momento da perda de um ente querido traz à família a difícil decisão sobre autorizar ou não a doação de órgãos após a constatação de morte encefálica. No Brasil, a taxa média de recusa familiar para a doação de órgãos gira em torno de 45%, índice que varia entre estados e até entre hospitais de uma mesma cidade, o que indica que a recusa não depende apenas de fatores demográficos, mas também de questões institucionais.

Cristiano Franke, presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), afirmou que muitos pacientes deixam registrada a vontade de ser doadores e que várias famílias gostariam de atender a esse desejo. Ele destacou que, em muitos casos, a falha no acolhimento e na comunicação dentro das unidades de saúde — públicas e privadas — se configura como um dos principais obstáculos para a efetivação das doações.

“Muitas vezes as famílias não recebem todas as informações adequadamente, no momento e com um protocolo adequados para tomarem a melhor decisão. E muitas vezes também, as equipes médicas não estão preparadas para lidar com conversas difíceis, utilizando termos excessivamente técnicos e inacessíveis, ou realizando abordagens consideradas frias e comerciais em locais inadequados.”

Para enfrentar essas falhas, a AMIB, em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 2.534 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos. O total superou em 25% a meta inicial do projeto, que previa a capacitação de 2 mil participantes.

O objetivo dos cursos é ampliar o número de profissionais preparados para conduzir o processo de doação, com foco na melhoria da comunicação para reduzir a resistência das famílias em autorizar a retirada de órgãos de parentes com diagnóstico de morte encefálica. A formação também busca qualificar as etapas que precedem uma doação: identificação de potenciais doadores, determinação da morte encefálica e manutenção clínica do potencial doador, tornando o processo mais seguro.

“Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família.”

Entre os participantes capacitados até agosto estão 933 médicos, dos quais 473 receberam treinamento específico para a determinação da morte encefálica. Os demais participantes — médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, administradores, farmacêuticos, odontólogos, biólogos, além de um nutricionista e um pedagogo — tiveram instruções sobre Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC).

Até agosto foram realizados 73 cursos, distribuídos em 23 módulos, com atividades em 25 estados brasileiros. Ainda estão previstos mais oito treinamentos até o encerramento do projeto; neste mês, eles ocorrerão em Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC).

Entre as dificuldades que levam famílias a recusar estão a compreensão ou aceitação do diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alteração da integridade do corpo, desconfiança em relação ao processo e desconhecimento sobre a vontade manifestada em vida pelo familiar. Há também a percepção, por parte de alguns parentes, de que os profissionais estariam mais interessados nos órgãos do que no paciente ou em seus familiares.

“As famílias têm receio de deformação do corpo e nós explicamos adequadamente como é feito o procedimento e a reconstituição do corpo, que não deixarão deformidades visíveis nos ritos funerais como o velório. Elas trazem isso com muita clareza e nós precisamos explicar isso com tempo e clareza.”

Dados do Registro Brasileiro de Transplantes apontam que, em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, equivalente a 45% das entrevistas realizadas. No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, ante 19,2 em 2024.

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