A criadora da IA Claude protocolou o formulário S-1 na SEC nesta segunda (26) para começar a vender ações ao público. Os documentos trazem detalhes sobre resultados financeiros e riscos da empresa.
A Anthropic, empresa responsável pela inteligência artificial Claude, deu mais um passo rumo à abertura de capital nos Estados Unidos. Nesta segunda-feira (26), a companhia apresentou os documentos necessários para começar a vender ações ao público e anunciou que os papéis serão identificados pelo código “ANT”.
O registro protocolado inclui o formulário S-1 junto à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), documento que reúne informações sobre o funcionamento da empresa, seus resultados financeiros e os riscos associados ao negócio. A Anthropic informou que as ações serão negociadas na Nasdaq, bolsa que reúne grandes empresas de tecnologia.
Apesar do anúncio, ainda não é possível comprar ações da Anthropic na bolsa. A empresa precisa concluir o processo de abertura de capital e detalhar quantos papéis serão oferecidos e o preço de cada um. Segundo a agência Reuters, a expectativa é que a estreia aconteça ainda em novembro, embora a companhia não tenha confirmado uma data. O registro apresentado à SEC precisa entrar em vigor para que as ações possam ser vendidas.
Atualmente de capital fechado, a Anthropic permitirá, com a mudança para a bolsa, que investidores comuns comprem pequenas participações no negócio por meio de uma oferta pública inicial de ações (IPO). O documento S-1 apresentado à SEC é o primeiro passo formal desse processo.
Os arquivos encaminhados ao regulador também detalham o desempenho financeiro recente da companhia, fundada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI. Somente no primeiro semestre de 2026, a Anthropic registrou uma receita de US$ 16,3 bilhões, cerca de 14 vezes o montante obtido no mesmo período de 2025, quando faturou US$ 1,2 bilhão.
O crescimento, contudo, veio acompanhado de perdas contábeis. A empresa reportou um prejuízo líquido de US$ 80,7 bilhões nos primeiros seis meses de 2026. Segundo a agência Reuters, a maior parte desse valor está relacionada a ajustes contábeis na avaliação de títulos conversíveis em ações e não representa necessariamente uma saída equivalente de caixa. O prejuízo operacional, que considera os resultados das atividades da empresa, foi de US$ 693 milhões no período.
Outro ponto destacado no registro é a estrutura de controle: os sete fundadores da Anthropic continuarão com 50,1% do poder de voto nas decisões dos acionistas após a entrada na bolsa. Esse arranjo permite que os criadores do Claude mantenham influência sobre o futuro da companhia, mesmo com a chegada de novos investidores.
O anúncio formaliza o início do processo de transição da Anthropic para o mercado público e coloca a empresa entre as concorrentes que buscam capitalizar o avanço da inteligência artificial por meio de listagem em bolsa.
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