A taxa básica de juros em 15% ao ano, o maior nível em duas décadas, foi apontada por especialistas como o principal fator para a retração de 0,2% no Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) em setembro, na comparação com agosto.
Douglas Elmauer, professor de Economia e Direito do Mackenzie Alphaville, afirma que o recuo está em linha com o cenário macroeconômico. Segundo ele, juros elevados encarecem o crédito, comprimem a demanda, adiam investimentos e pressionam o orçamento das famílias. “Mesmo com a inflação mais baixa, a renda ainda não recuperou todo o poder de compra”, observou. O docente acrescentou que a incerteza sobre a política monetária dos Estados Unidos endurece as condições financeiras globais e prejudica as expectativas do setor produtivo.
Para Euzébio Sousa, pesquisador convidado da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a atual política do Banco Central sinaliza a necessidade de conter o ritmo da economia. “Com juros tão altos, o impacto é sistêmico: diminui o financiamento ao consumo, desestimula empresários a produzir e investir e reduz o nível de emprego”, detalhou.
A economista Daniela Cardoso considera o recuo de setembro pontual e de pequena magnitude. “A queda foi discreta, inferior ao resultado acumulado nos três meses anteriores. Isso não caracteriza um grande problema”, avaliou. Ela prevê corte na Selic ao longo do próximo ano, podendo alcançar 12%, o que, em sua visão, ajudaria a reduzir a dívida pública e a equilibrar as contas fiscais.
O Banco Central mantém a Selic em 15% desde agosto, patamar que não era alcançado desde 2005.
Com informações de Agência Brasil
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

