Desde janeiro, o governo americano já enviou de volta para o Brasil 3.170 brasileiros que viviam ilegalmente no país.
O ano de 2025 termina com um marco histórico — e doloroso — para a imigração brasileira. Um voo fretado pelo governo dos Estados Unidos pousou nesta semana no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte trazendo 81 brasileiros deportados. Foi o 34º avião a chegar ao país este ano com cidadãos em situação irregular, consolidando um recorde.
Entre os passageiros estava Lucas Miranda Santos. Após viver ilegalmente nos EUA por sete anos e passar os últimos três meses detido, o sentimento ao pisar em solo brasileiro foi de alívio.
“Muito emocionado, muito feliz de estar aqui. Esperei muito por esse momento”, desabafou o vendedor.
Números Recordes e “Orçamento de Guerra”
Desde janeiro, o governo americano já enviou de volta 3.170 brasileiros. Esse é o maior número registrado desde 2020, quando a prática de voos fretados começou, e representa um salto de mais de 90% em comparação a 2024.
O endurecimento das fronteiras reflete a política de “tolerância zero” que se tornou prioridade desde a posse do presidente Donald Trump, em 20 de janeiro deste ano.
Para a professora de Relações Internacionais Carolina Moulin, a tendência é de aceleração.
“Esse orçamento tende a crescer de forma exponencial até 2029. Estamos falando de quase 200 milhões de dólares voltados só para essa política, um orçamento de guerra”, avalia a especialista, prevendo maior foco na expulsão de latinos.
Acolhimento no Brasil
Diante desse cenário, o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania organizou um programa para recepcionar esses brasileiros, oferecendo suporte para que retornem às suas cidades de origem. “A gente mudou o olhar sobre a população que migra. Estamos conseguindo conhecer quem são essas pessoas e entender o aporte que eles trazem de terem passado anos fora”, explicou Ana Maria Gomes Raietparvar, coordenadora-geral da pasta.
Para o psicólogo Aridelson Leonel Ferreira, que ficou dois meses preso antes da deportação, o plano agora é fincar raízes. “Quero atuar na minha área e seguir minha vida aqui mesmo tranquilo, não pretendo sair daqui mais não”, concluiu.
Este voo, que chegou a tempo das celebrações natalinas, foi o penúltimo agendado para 2025.
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