Entente entre Washington e Teerã pode reduzir tensões que elevaram preços de combustíveis nos EUA. O cenário favorece Kevin Warsh, indicado por Trump para liderar o Federal Reserve.
O sonho de Kevin Warsh de assumir a presidência do Federal Reserve (Fed) quase foi comprometido por desafios econômicos simultâneos que surgiram nos Estados Unidos. Em janeiro, quando o presidente Donald Trump nomeou Warsh, o mercado de trabalho enfrentava um dos piores anos das últimas décadas, com o desemprego em alta e a economia americana perdendo postos de trabalho.
Com a escalada da inflação, impulsionada pela guerra com o Irã, os preços de combustíveis como petróleo, diesel e gasolina dispararam, criando uma situação delicada para Warsh. Ele teria que liderar o Fed em uma potencial batalha de duas frentes: se deveria cortar as taxas de juros para resgatar o mercado de trabalho ou aumentar as taxas para controlar a inflação. Contudo, a situação agora parece menos alarmante.
O mercado de trabalho apresentou sinais de recuperação rápida nesta primavera, e os preços da energia começaram a cair. O recente acordo entre os EUA e o Irã, que visa encerrar a guerra de 15 semanas e reabrir o Estreito de Ormuz, aliviou as preocupações com um aumento sustentado da inflação, reduzindo a urgência de um aumento nas taxas de juros a curto prazo.
“Isso tira um pouco da pressão sobre Warsh. Significa que o pior cenário para aumentos está mais fora de questão do que presente”, afirmou Benson Durham, ex-funcionário do Fed.
Warsh, que se reunirá com os demais diretores do Fed, não deverá aumentar as taxas em sua primeira reunião nesta quarta-feira, dia 17. As chances de um aumento são consideradas quase nulas. Embora Trump tenha feito pressão para que os juros fossem cortados, a realidade do mercado e a situação econômica exigem cautela.
Funcionários do Fed já alertaram que, embora não haja aumento imediato, ajustes nas taxas podem ser necessários no futuro para conter a inflação. Detalhes sobre o acordo EUA-Irã ainda são escassos, e muitos desafios permanecem. Contudo, os contratos futuros de petróleo caíram para mínimas de três meses, e os preços da gasolina já estão em queda há 25 dias consecutivos, atingindo os menores índices em dois meses.
“A trajetória de baixa para o petróleo significa uma onda inflacionária menor do que as temidas interrupções menos prolongadas na cadeia de suprimentos”, destacou Krishna Guha, vice-presidente da Evercore ISI.
O acordo entre os EUA e o Irã e a queda no preço do petróleo aumentam as chances de que o Fed consiga gerenciar a situação sem necessidade de aumentar as taxas de juros. Eric Rosengren, ex-presidente do Fed de Boston, comentou que o acordo é uma “notícia positiva” para a economia e para as decisões do Fed.
No entanto, é importante ressaltar que a assinatura formal do acordo está prevista apenas para sexta-feira, após a reunião do Fed. Os analistas do mercado de petróleo alertam que o acordo não resultará em um retorno imediato do tráfego no Estreito de Ormuz aos níveis pré-guerra, e a previsão é que os preços do Brent não voltem a US$ 75 por barril antes de 2028.
Ainda assim, a existência de um acordo entre EUA e Irã permite que o Fed atue com mais cautela, evitando reações exageradas a possíveis relatórios de inflação alta. Durham comentou que o Fed está em uma posição mais sólida e menos propensa a reações a pressões inflacionárias de curto prazo. Warsh, no entanto, ainda enfrenta o desafio de conquistar a confiança de seus novos colegas.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

