Receber o diagnóstico de autismo na vida adulta pode mudar tudo. Especialistas explicam como esse reconhecimento tardio ajuda a compreender dificuldades e abre caminho para um novo recomeço.
O diagnóstico de autismo na vida adulta, embora tardio, pode representar um momento de profundo alívio para aqueles que passaram anos sem compreender suas próprias dificuldades. Especialistas que atuam no atendimento a adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ressaltam a importância desse reconhecimento. Durante o programa CNN Sinais Vitais, a psiquiatra Daniela Bordini, coordenadora do Ambulatório de Cognição Social da Unifesp, e a psicóloga Tatiana Mecca, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, discutiram os impactos do diagnóstico tardio, além das melhores condutas após a identificação do transtorno em diferentes fases da vida.
De acordo com Daniela Bordini, muitos adultos chegam ao diagnóstico após anos de sofrimento, enfrentando comorbidades, bullying e abusos de diversas ordens. Ela destaca que, mesmo recebendo o diagnóstico já na vida adulta, os pacientes experimentam uma sensação de pertencimento e uma explicação para as dificuldades que enfrentaram ao longo da vida.
“Aquilo traz um alívio, uma sensação de pertencimento, de uma explicação pelas suas dificuldades ao longo da vida e também leva a melhorias”, afirmou.
Tatiana Mecca complementou com dados de um levantamento realizado no ambulatório da Unifesp, que abrangeu mais de 3 mil adultos autistas. Os resultados mostraram que mais de 70% desses indivíduos nunca suspeitaram do transtorno durante a infância.
“A maioria desses indivíduos passa um bom período da vida sem diagnóstico”, explicou Tatiana, acrescentando que muitos recebem diagnósticos equivocados antes de chegar ao diagnóstico correto de autismo.
As intervenções recomendadas após o diagnóstico variam conforme o perfil e a faixa etária do indivíduo. Para crianças pequenas, por volta dos 3 ou 4 anos, as necessidades costumam envolver aspectos sensório-motores e comunicativos, sendo frequente o encaminhamento para fonoaudiologia e terapia ocupacional. Em idade escolar, as características do autismo podem impactar os processos de aprendizagem, tornando necessário o acompanhamento de um psicopedagogo.
Na vida adulta, estudos apontam uma prevalência de 70% a 80% de comorbidades, especialmente transtornos de ansiedade e de humor. Nesses casos, Tatiana sugere intervenções baseadas em terapias cognitivo-comportamentais ou tratamentos medicamentosos. Além disso, Daniela Bordini enfatizou a importância do acolhimento familiar, especialmente para crianças pequenas recém-diagnosticadas, ressaltando que as famílias precisam de orientações claras sobre quais intervenções priorizar diante das opções disponíveis.
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