Valorizem os professores

Jose Costa, 01 de Maio, 2023 - Atualizado em 02 de Maio, 2023

     “Conta uma estória que um correligionário procura um amigo deputado federal para pedir um emprego para o seu filho que tinha acabado de completar o supletivo do 1º grau. O deputado oferece uma vaga de assessor para ganhar 15 mil reais. Ele diz ao deputado que é muito. O deputado oferece outro cargo ganhando 10 mil reais. Ele pergunta se não tem um empreguinho que pagasse 3 mil até 5 mil reais. O deputado responde que tem, mas aí é só por concurso e é para quem tem curso superior, pós-graduação ou mestrado, além do mais ele terá que comparecer ao trabalho todos os dias.”

 

     No Brasil é assim, os amigos e apadrinhados dos políticos ganham cargos com altos salários e não precisam trabalhar, enquanto os professores têm que trabalhar bastante planejando aulas, estudando, atualizando-se, ensinando, realizando avaliações, investindo na profissão, mas ganhando pouco e não têm direito a fazer greve para reivindicar melhoria salarial e condições de trabalho em prol da educação. Para os políticos e algumas pessoas da sociedade, os professores devem ser abnegados à profissão, porque já sabem de antemão que vão ganhar mal e por isso não podem reclamar da baixa remuneração e esta cruz terá que ser carregada pelo resto da vida.

 

     Já virou rotina todos os anos, alguns governadores e prefeitos não quererem pagar o piso salarial e os professores entrarem em greve para ter seus direitos assegurados por lei. Os que querem pagar o piso, retiram direitos adquiridos dos educadores conquistados anos atrás e outros só querem pagar o piso aos professores de nível médio, não valorizando os professores graduados.

 

     A Lei do piso salarial profissional nacional do magistério público da educação básica foi sancionada em 2008, pelo Presidente Lula, e já em 2012 o governo do estado não pagou o reajuste de 22,22% anunciado pelo MEC. Em 2021, a assembleia legislativa aprovou uma lei enviada pelo executivo destruindo o plano de carreira e remuneração do magistério pública na qual um professor com nível de doutorado, mestrado ou pós-graduado iniciava o vencimento básico igual ao professor com nível do ensino médio. Também incorporou a gratificação de regência de classe ao vencimento básico fazendo com que o professor ganhasse acima do piso, o que era uma mentira, pois o vencimento básico estava abaixo do piso. Em 2022, o governo do estado não pagou o reajuste de 33,24% e ofereceu um abono aos professores, mas os aposentados não tiveram o mesmo direito. Em 2023, mais uma vez, o governo do estado não quer pagar o reajuste do piso, que é de 14,95%, e ofereceu aos professores um percentual de 2,5%, a metade do reajuste oferecido ao funcionalismo estadual. Por estes motivos, o sindicato dos professores convocou uma paralização de 4 dias a fim de pressionar o governo a pagar o piso que é um direito constitucional da classe.

    

     Os professores não desejam fazer greve todos os anos, apenas querem que a lei do piso do magistério seja cumprida como determinou o STF em 2013, quando foi questionado por alguns governadores sobre a inconstitucionalidade do piso. Quando a greve ocorre, é por necessidade de pressionar os governantes a pagar o piso, até porque a luta dos educadores não é só por aumento salarial, mas a favor da educação pública de qualidade.

 

     Não tem nada pior que um empregado mal remunerado, desiludido e desmotivado, e isto vêm acontecendo com os professores há décadas. Com a criação e aprovação do piso salarial do magistério pelo congresso e sancionado pelo Presidente da República, os professores sentiram-se valorizados e ficaram entusiasmados com a possibilidade de melhorar os salários. No entanto, alguns governadores e prefeitos acreditam que os educadores não merecem ganhar um piso de R$ 4.420,55, pouco mais de três salários mínimos, porque deve ser muito dinheiro para quem tem a responsabilidade de formar integralmente crianças e jovens através da educação.

 

     De quatro em quatro anos, os políticos disputam as eleições, sobem aos palanques e prometem que em seu governo a Educação será prioridade e os professores serão valorizados. Depois que assumem, eles esquecem as promessas e tentam iludir a sociedade, principalmente os mais pobres, dizendo que a educação pública tem qualidade. Então, por que eles só colocam seus filhos para estudarem nas melhores escolas particulares? O ex-Senador Cristovam Buarque encaminhou um projeto ao senado obrigando os filhos de políticos a estudarem em escola pública, eles engavetaram o projeto, por que será?

 

     Os políticos não valorizam os professores das escolas públicas porque a maioria deles estudou em escolas particulares e, como alunos, eles não conheceram o descaso dos governantes pela educação pública, pela falta de condições de trabalho, falta de professores nas escolas, prédios deteriorados, falta de quadras esportivas, falta de carteiras, giz e papel e a baixa remuneração dos professores, esta sempre foi a realidade da escola pública. É importante lembrar que todos os profissionais aprenderam e foram formados através dos professores, da Educação Infantil à Universidade e os políticos estão inclusos neste contexto.

 

     O professor é de extrema importância para o presente e o futuro da sociedade, pois tem a capacidade de construir um mundo melhor através da formação integral de seus alunos. Sendo o professor um formador de opinião, é por meio da educação que poderemos formar cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres para a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e democrática.

 

     Professor, vença todos os percalços que surgirem na sua profissão, defenda seus direitos, valorize-se, lute, seja um guerreiro, porque seus alunos precisam que você seja um exemplo, um espelho para toda a vida. Esperamos que nossos alunos atuais sejam os futuros governantes, menos técnicos e mais humanos, e que valorizem quem os ajudam a se tornarem mulheres e homens sábios, dignos, honestos e cristãos: os PROFESSORES.

 

Por Professor José Costa

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