Augusto César Franco, um empresário talentoso e dedicado

Quando um homem é lembrado ao longo do tempo significa que ele trilhou o caminho certo. Eis Augusto César Franco, filho de Dona Gina e Dr. Augusto Franco. Saudoso irmão de Albano, Walter, Amélia, Marcos (in memoriam), Maria Clara, Osvaldo, Antônio Carlos

Igor Salmeron, 21 de Março, 2023

Para todos os que acompanham os meus artigos de pesquisa acerca das eminentes famílias sergipanas, pessoas-sinônimos de capítulos importantes da história telúrica, percebem que costumo enfatizar determinados personagens. Um desses notáveis evidencia-se na pessoa do grande e saudoso empresário sergipano Augusto César Franco.

Antes de adentrar no retratado, façamos um breve histórico da TV em Sergipe. Ao estudar um pouco acerca dos idos do contexto histórico da televisão sergipana, observou-se que tivemos a inauguração da TV Sergipe no decisivo ano de 1971. Era Canal 4 afiliada na época à Rede Tupi. Ao longo das décadas sucedâneas tivemos diversas ínclitas figuras que a desenvolveram, a exemplo do radialista e político Nairson Menezes, junto com empresários de peso: Francisco Pimentel Franco, Josias Passos, Getúlio Passos, José Alves, Hélio Leão, Augusto Santana, Paulo Vasconcelos, Lauro Menezes e Luciano Nascimento.

Por conta dos hercúleos esforços desses nominados iniciou-se a elaboração do projeto para se implantar a até então primeira emissora de TV em cenário sergipano. No mês de outubro de 1973, a TV Sergipe deixa a Rede Tupi e se torna afiliada à Rede Globo de Televisão. Em 1976 chegou a ser vendida para o Grupo Aratu da Bahia. Depois, no início da década de 1980 após sofrer diversas sanções, foi revendida novamente à Família Franco por intervenção de Albano.

Passou a fazer parte do grupo do avultado médico e industrial Augusto Franco. Vale asseverar que com a partilha da herança dele em vida, nos idos dos anos 90, a TV ficou para os filhos César e Albano Franco. Após a morte de César, os 50% foram geridos por Lourdes Teles Franco, a viúva.

Nesse efervescente tempo o setor de telejornalismo era dirigido habilmente pelo lendário jornalista Mozart Santos. Na administração da Família Franco houve a precípua preocupação de se resguardar o conteúdo da matriz, aperfeiçoando mudanças técnicas e de gestão. E por falar em administração, aqui vale a devida ênfase para o empresário talentoso e dedicado chamado Augusto César Franco.

Formado em economia pela Universidade de Brasília, mais precisamente pelo Centro Universitário do DF, se sobressaiu ao longo dos anos auferidos como abnegado gestor de inúmeros órgãos de comunicação da Família Franco. Dentre tantos episódios inolvidáveis, tem-se que assinalar que César foi Superintendente da TV Atalaia na ocasião em que a mesma enfrentava momentos delicados, a exemplo de quando foi consumida por um abominável incêndio. César impávido e pioneiro, ao ter sido Diretor do Jornal da Cidade, implantou marcante processo de reforma no veículo que depois passaria para as mãos de Antônio Carlos Franco, um dos seus irmãos.

Na quadra que corresponde aos áureos tempos da TV Sergipe, Augusto César Franco foi dinâmico sócio-diretor ao lado do irmão Albano Franco. Testemunha vívida e partícipe, acompanhava como poucos tanto a ambiência política quanto o universo econômico de Sergipe pelos bastidores. Ademais, atuou como Superintendente da TV e FM Sergipe, além de gerir com destreza a Agropecuária São José.

Sob a administração de César Franco, a TV Sergipe adquiriu equipamentos modernos que acabaram sendo incorporados ao parque eletrônico. Foram vultosos os investimentos feitos, prova disso residiu no novo visual na tela da TV e com a chegada do vídeo grafismo. O núcleo de Rede foi montado e Sergipe passou a ser presença frequente nos noticiários da TV Globo. Quem não lembra da repórter Aline Hungria? O núcleo revelou Sergipe para todo o Brasil.

Segundo relatos dos mais próximos, Augusto César Franco, ao longo da sua existência, sempre demonstrou irrestrito talento e dedicação. Seu perfil de empresário era de uma figura constantemente antenada, sobretudo, ao que se referia às mudanças tecnológicas, objetivando o que havia de melhor e mais aperfeiçoado para entregar à toda população sergipana que edifica até os dias hodiernos a grandiosa audiência das suas emissoras.

De personalidade afável, jamais se deixou contaminar por mesquinha jactância. Ao contrário, tratava a todos sem distinção e era um cara despido de arrogância de qualquer natureza. Seu acentuado bom humor, infindável alegria e a respeitabilidade foram predicados que se sobressaíram na presente pesquisa. Ajudava as pessoas sem olhar aquém e sabia do valor imponderável da gratidão.

Na harmoniosa esfera doméstica contraiu matrimônio com D. Lourdes Franco cuja união amorosa resultou na inteligente, determinada e sincera filha Carolina Franco que já deixa neto em homenagem ao imperecível legado de seu notável pai: Augusto César Franco Neto. César Franco faleceu aos 53 anos no dia 19 de fevereiro do ano 2002, deixando lições de humildade e bem-fazer coletivo que jamais hão de se apagar. É, sem dúvidas, um homem que faz falta nos dias correntes, pois tinha coração enorme e força de vontade indomável. 

 

¹ Texto escrito por Igor Salmeron, Sociólogo - Doutor em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Sergipe (PPGS-UFS), servidor do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, faz parte do Laboratório de Estudos do Poder e da Política (LEPP-UFS). Membro vinculado à Academia Literocultural de Sergipe (ALCS) e ao Movimento Cultural Antônio Garcia Filho da Academia Sergipana de Letras (MAC/ASL).

E-mail para contato: igorsalmeron_1993@hotmail.com

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