Carlos José Magalhães de Melo, o Magá: Uma Lenda viva do Rádio Sergipano

O papel do Rádio é imprescindível: encurta as distâncias bem como as diferenças culturais, políticas, econômicas e sociais. Um valioso-essencial instrumento da Democracia!

Igor Salmeron, 27 de Março, 2023

No último dia 24 de março se deu o glorioso aniversário dessa grande figura que é sinônimo da História do Rádio Sergipano, Carlos José Magalhães de Melo, mais célebre pela alcunha carinhosa de Magá pois o retratado não se incomoda. Nascido na cidade ribeirinha de Propriá num dia 24/03 do ano 1938, é filho do saudoso médico humanista Carlos Fernandes de Melo, homem de alma bondosa e humilde que o guiou nos caminhos da parcimoniosa sensatez perante os empecilhos existenciais. 

Aos 7 anos de idade aporta em Aracaju, donde estudou no tradicional Colégio Salvador. O ginasial concluíra no Jackson de Figueiredo, passando pelo Atheneu. Dos passos educacionais acadêmicos podemos realçar as formações que possui tanto em Odontologia quanto nas Ciências e Letras Jurídicas pela Universidade Federal de Alagoas. Ademais, finalizou Pós-Graduação e Mestrado na área da saúde pública pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Sanitarista já formado na escola Oswaldo Cruz (RJ), assumiu a Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju, fato este concretizado durante as gestões de Aloísio Campos e Cleovansóstenes Pereira de Aguiar. Nesse entremeio, segundo relatos colhidos, Magalhães fulgurava como profissional competente e prestativo, sendo estes um dos seus principais predicados. 

A sua extensa formação universitária lhe afiançou não apenas saber e conhecimento, mas, sobretudo sensibilidade para enxergar de maneira translúcida a realidade que lhe circunda, algo que se reflete nas suas marcantes atuações junto ao rádio sergipano. Carlos Magalhães foi provisionado como radialista e jornalista pelo Ministério do Trabalho, algo de que frui particular orgulho. 

De lá para cá são mais de 60 anos de ininterrupta dedicação ao envolvente campo da comunicação. O Magá que conhecemos é profissional de imprensa dos mais consagrados, sendo o hodierno Decano no que se refere aos cronistas do rádio sergipano. Homem de carisma indelével, fez-se notabilizado pela lhaneza tanto no jeito quanto no trato coletivos. 

Exerceu habilmente inúmeras atividades, dentre às quais: locutor, editor, chefe de equipes de esportes e de jornalismo em diversas emissoras do Estado de Sergipe. Podemos enfatizar a Rádio Cultura, Jornal, Atalaia e Liberdade dentre outras referendadas. Chegou a atuar também além-fronteiras, em Maceió, mais precisamente na Rádio Gazeta. 

O vulto Raymundo Luiz, outro jornalista e escritor fora de série, teve papel primordial ao tê-lo convidado para trabalhar no jornalismo esportivo na áurea época da Rádio Cultura. Ladeado por outro avultado Wellington Elias, formavam então a dinâmica dupla, diga-se de passagem, das mais relevantes do jornalismo esportivo sergipano. Quem não conhece Magá e Wellington Elias não é mesmo?! 

Carlos Magalhães atuou como Secretário de Comunicação Social durante os Governos João Alves Filho e Albano Franco. Chefiou o Escritório de Representação de Sergipe em Brasília (DF), donde se enlevou como hábil Coordenador Nacional do Programa de Desenvolvimento do Artesanato Brasileiro, demonstrando sua indefectível afeição pela cultura telúrica. 

Magalhães, aqui é válido ressaltar, foi pioneiro, sendo um dos que criaram o Curso de Odontologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Exerceu a profissão odontológica junto à Legião Brasileira de Assistência (LBA) e ainda atuou como Professor Titular da UFS, aprovado em concurso público na Cadeira de Odontologia Preventiva e Social. 

Para quem não sabe, Carlos Magalhães foi o primeiro Secretário de Turismo em Sergipe. Presidiu a EMSETUR durante a fecunda gestão de Paulo Barreto de Menezes no ano de 1972, depois deu continuidade com José Rollemberg Leite e Antônio Carlos Valadares. No universo da política, teve êxito quando se elegeu Deputado Federal se destacando pela ética e integridade. 

O Magá, podemos asseverar, é daqueles vocacionados, homem que nasceu para o Rádio. Um incansável guerreiro, ser humano que inspira a juventude, pois acreditou no seu anseio onírico desde a tenra idade e conseguiu alcançá-lo com as devidas glórias em vida. Não se acomoda, se atualiza constantemente, e ainda implantou uma emissora, a “Povão Web” fornecendo voz à população e realizando coberturas de jogos dos representantes sergipanos. 

As transmissões de Copa do Mundo e da Copa América também são fatores que não podem passar desapercebidos em sua vastíssima trajetória, algo inolvidável pela sua singular entonação e talento. Conclui-se que Magá no auge dos seus 85 anos, desfruta do que plantou ao longo da admirável existência: acolhimento, presteza e solidariedade. 

Na harmoniosa ambiência doméstica, Carlos Magalhães contraiu belo matrimônio com a grande enfermeira-professora Maria Scandian com quem teve seus 4 amáveis filhos, sendo eles: Ricardo, Roberto, Raquel e Rosana.

De coração enorme, prova o que é ser um genuíno ícone do Rádio sergipano. Todas as reverências são poucas diante da magnitude desse verdadeiro monumento da comunicação, e trate de não se incomodar mesmo, pois toda singela homenagem para o senhor ainda é pouca. 

Parabéns com ensejo de muita saúde e longevidade! 

 

¹ Texto escrito por Igor Salmeron, Sociólogo - Doutor em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Sergipe (PPGS-UFS), servidor do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, faz parte do Laboratório de Estudos do Poder e da Política (LEPP-UFS). Membro vinculado à Academia Literocultural de Sergipe (ALCS) e ao Movimento Cultural Antônio Garcia Filho da Academia Sergipana de Letras (MAC/ASL). 

E-mail para contato: igorsalmeron_1993@hotmail.com

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