Jackson de Figueiredo, um intelectual engajado

“Teme a alegria que não seja do dever cumprido”.

Igor Salmeron, 24 de Abril, 2023 - Atualizado em 24 de Abril, 2023

Diversos são os nossos sergipanos mais ilustres, mas dentre esses vultos um se realça, em especial, estou falando do prolífico advogado, ensaísta, filósofo e político Jackson de Figueiredo. Nascido em Aracaju num dia 09 de outubro do ano 1891, era filho de Seu Luís de Figueiredo Martins e de Dona Regina Cândida Jorge de Figueiredo. Vale dizer que seu avô paterno era influente, Jacinto Martins de Almeida foi por duas ocasiões Prefeito de Aracaju e presidiu a Associação Comercial de Sergipe.

Figueiredo desde cedo aprendeu o valor irrestrito das certeiras palavras e busca incessante pelo conhecimento. Em Aracaju e no áureo cenário de Maceió pôde dar seus primeiros passos escolares. Sua lúdica infância fora marcada por inquietude e pela inteligência singular. Já pequeno escrevia cantigas, e seu principal exercício era ler de maneira contumaz. Escrevia versos com um brilhantismo que jamais havia se visto, além de, aos 17 anos, haver publicado “Bater de Asas” livro que lhe fez estrear nos burburinhos coletivos.

Dois anos depois, aos 19, publicara “Zíngaro”, robusto em etéreas poesias e escrito em poucos meses. Tempos depois, rumou para a capital baiana onde se formou em Direito pela Faculdade Livre da Bahia. No efervescente universo baiano foi boêmio, e nessa ambiência percebeu seu tino para a liderança. Entre os anos de 1912 a 1914, publicou alguns ensaios importantes, dentre os quais dois intitulados: “Xavier Marques” e “Garcia Rosa”.

No Rio de Janeiro exerceu de forma assídua o jornalismo e sua dedicação à esfera da política foi algo marcante. Neles é possível observar o seu dom para a criativa escrita e vetusta dinamicidade de conteúdo. Converteu-se em 1918 ao catolicismo, chegando a organizar movimentos edificados pelas classes cultas, cuja principal finalidade era a difusão dos princípios clérigos da Igreja.

Entre os anos de 1921 a 1922 fundou o antológico Centro Dom Vital e a célebre Revista “A Ordem” onde lutara veementemente contra o comunismo e o liberalismo. Dizia-se que se sentia rei ao ser o humilde soldado em favor da Igreja Católica. Na seara política, combateu o tenentismo, e seu forte aliado era Arthur Bernardes na repressão que foi caracterizada pela “Revolução de 30”. Irrequieto, escreveu vários artigos e seus provocativos discursos eram referenciais. Podemos dizer que seu notável talento foi posto a serviço tanto da ordem pública quanto do civismo.

Conclui-se que Jackson de Figueiredo esteve e está no seleto rol dos grandes pensadores. Dentre tantas obras da sua autoria, podemos dar o seguinte enlevo: “Algumas reflexões sobre a Filosofia de Farias Brito”, “A Questão Social na Filosofia de Farias Brito”, “Do Nacionalismo na hora presente”, “Literatura Reacionária”, “A coluna de fogo”, “Pascoal e a Inquisição Moderna”, “Aevan”, “Correspondência” e “Em Defesa de Sergipe”.

Seu fatídico falecimento foi trágico, acabou morrendo afogado na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro no dia 04 de novembro do ano 1928 contando somente 37 anos de idade. Deixa rastro irrepetível de legado intelectual engajado que há de atravessar sucedâneas gerações.

¹ Texto escrito por Igor Salmeron, Sociólogo - Doutor em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Sergipe (PPGS-UFS), servidor do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, faz parte do Laboratório de Estudos do Poder e da Política (LEPP-UFS). Membro vinculado à Academia Literocultural de Sergipe (ALCS) e ao Movimento Cultural Antônio Garcia Filho da Academia Sergipana de Letras (MAC/ASL).

E-mail para contato: igorsalmeron_1993@hotmail.com

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